Lista de terroristas dos EUA mantém nomes de inocentados por tribunais

O FBI tem permissão de considerar terrorista aqueles sobre os quais exista uma 'suspeita razoável'

The New York Times |

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Presentes na lista de terroristas do governo são impedidas de voar
O FBI tem permissão para incluir pessoas na lista de terroristas mantida pelo governo, mesmo que elas tenham sido absolvidas de crimes relacionados com terrorismo ou que as acusações tenham sido retiradas, informam documentos recém-divulgados.

Os arquivos, divulgados pelo FBI sob a Lei de Liberdade de Informação, expuseram como a polícia deve reagir caso encontre um dos presentes na lista. Eles explicaram pela primeira vez ao público as regras legais que os oficiais de segurança dos EUA devem seguir para acrescentar um novo nome à lista de terroristas. Além disso, esclareceram como os nomes são examinados para uma possível remoção do rol.

A inclusão na lista faz com que suspeitos de terrorismo não possam embarcar em aviões e entrar no país, além de tornar mais cautelosa a entrada de indivíduos em aeroportos e em outras fronteiras do país.

O banco de dados tem agora cerca de 420 mil nomes, incluindo cerca de 8 mil americanos, de acordo com estatísticas publicadas no 10º aniversário do 11 de Setembro. Aproximadamente 16 mil integrantes da lista, incluindo cerca de 500 americanos, são impedidos de voar .

Timothy J. Healy, diretor de Triagem de Terroristas do FBI que aprova pedidos para adicionar ou remover nomes da lista, disse que os documentos mostram que o governo está equilibrando a liberdade de civis com um processo cuidadoso para garantir que os nomes que já não precisam estar na lista sejam retirados.

As 91 páginas dos arquivos recém-divulgados incluem um memorando de dezembro de 2010 aos oficiais de campo do FBI que determinava que mesmo um veredicto inocente pode não ser suficiente para tirar alguém da lista, caso os agentes ainda tenham uma "suspeita razoável" de que a pessoa possa ter ligações com o terrorismo.

Ginger McCall, um conselheiro do Centro de Informação e Privacidade Eletrônica, disse: "Nos EUA, você supostamente deve ser considerado inocente. Mas na lista, você pode ser considerado culpado mesmo depois que o tribunal encerrar o seu caso."

Mas Stewart Baker, um ex-oficial de segurança do governo Bush, argumentou que mesmo que o FBI não tenha conseguido provar laços da pessoa com o terrorismo "além de uma dúvida razoável", pode ser adequado manter a pessoa na lista simplesmente por ter gerado suspeita.

Por Charlie Savage

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