Líderes recusam imunidade para soldados dos EUA que ficarem no Iraque

Iraquianos concordam em manter instrutores militares em 2012, mas descartam reivindicação americana por imunidade legal

The New York Times |

Os líderes políticos iraquianos anunciaram na terça-feira que chegaram a um acordo sobre a necessidade da permanência de instrutores militares dos EUA no Iraque no próximo ano, mas eles também declararam que qualquer soldado que permaneça no país não terá imunidade perante a lei iraquiana, um ponto que Washington apontou como impeditivo para qualquer nova negociação.

AP
Soldados americanos atuam em operação para impedir o contrabando de armas em Istaqlal, no norte de Bagdá, Iraque (8/8/2011)
O comunicado, divulgado após uma reunião entre os líderes políticos no complexo presidencial, transmitiu sinais conflitantes no momento em que as autoridades americanas e iraquianas negociam qualquer permanência de tropas americanas no país após o primeiro dia do ano, quando elas estão programadas para partir.

Na noite de terça-feira, autoridades americanas lutavam para decifrar o aviso. Menos de três meses antes de as últimas tropas partirem – perto de 40 mil membros das Forças Armadas ainda estão no país – autoridades dos EUA estão cada vez mais frustradas com a lentidão nas discussões.

Os EUA pediram uma decisão rápida, observando as dificuldades logísticas de avançar em uma retirada ao mesmo tempo que fazem planos de contingência para deixar algumas tropas para trás.

A reunião da liderança política do Iraque, que durou cerca de dez horas, contou com a presença do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, do presidente Jalal Talabani e do principal rival de al-Maliki, Ayad Allawi, além de vários outros oficiais de alto escalão.

Ali al-Dabbagh, porta-voz do governo, emitiu um comunicado dizendo que os líderes haviam concordado que não havia "nenhuma necessidade de conceder imunidade a profissionais responsáveis apenas pelo treinamento", uma expressão bastante ambígua para uma medida que pode impedir um acordo.

Maysoon al-Damluji, o porta-voz do bloco de Allawi, o Iraqiya, disse que os líderes haviam pressionado Al-Maliki por sua postura sobre a concessão da imunidade aos soldados. "Eventualmente", segundo Al-Damluji, "concordamos com a necessidade de soldados americanos para realizar os treinamentos locais e com não lhes conceder imunidade".

Al-Dabbagh, porta-voz do governo, disse que qualquer treinamento dos americanos deve ajudar o Iraque a manter a segurança de suas fronteiras, hidrovias e espaço aéreo, algo que os líderes militares dos EUA disseram que os iraquianos precisam de ajuda para conseguir concretizar.

Um oficial da embaixada americana no Iraque disse que os americanos estão analisando a declaração e "apreciando o espírito democrático exibido pelos líderes iraquianos em debater esse importante tema."

A imunidade atinge um nervo profundo entre os iraquianos porque significaria que os soldados americanos não poderiam ser processados no Iraque.

A questão evoca alguns dos piores horrores da guerra no país, desde o escândalo da prisão de Abu Ghraib até a matança de civis por mercenários da empresa Blackwater. Mas também é importante para os EUA protegerem soldados que trabalham de boa-fé sob condições difíceis e perigosas.

*Por Tim Arango e Michael S. Schmidt

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