Líderes ansiosos para encontrar Obama terão que esperar

CHICAGO ¿ O mundo está esperando pelo presidente eleito Barack Obama e alguns dos líderes mais importantes vão para os EUA neste fim de semana supondo que irão encontrá-lo. Mas terão que continuar aguardando.

The New York Times |

Os líderes de 19 países, incluindo Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China, se encontrarão em Washington na próxima sexta, para uma reunião de emergência econômica e serão recebidos pelo presidente Bush. Embora tenha sido convidado, Obama optou por ficar em Chicago e não encontrará nenhum dos líderes separadamente.

Logo após a eleição da semana passada, a reunião de emergência se mostrou um momento incômodo para o presidente eleito e um teste antecipado de seus cuidados com a diplomacia internacional. Apesar de seus apoiadores estarem apenas fechando o centro de operações de sua campanha e só começando a reunir uma equipe de governo, eles estão evitando o interesse de governos estrangeiros ávidos por ver o que Obama tem a oferecer e tentando evitar que sua imagem fique amarrada à administração de Bush.

Diversos assessores de Obama, em entrevistas separadas, usaram a palavra estranho para descrever a situação. Mas Robert Gibbs, assessor veterano de Obama, disse: Enquanto alguns dizem que é estranho que ele não esteja lá, seria, de longe, muito mais problemático se ele estivesse. Nós acreditamos firmemente que deve haver um presidente de cada vez.

Mal-entendido

A situação já tem causado alguns mal-entendidos. Um funcionário do Kremlin contou a repórteres em Moscou que o presidente da Rússia Dmitri A. Medvedev provavelmente iria encontra Obama durante sua viagem aos EUA no próximo fim de semana, mesmo que a equipe de Obama tenha recusado o encontro.

A possibilidade de mal-entendidos ainda mais significantes acontecerem foi ressaltado na semana passada, quando uma ligação rápida e aparentemente superficial feita por Obama em retorno à ligação de parabenização do presidente da Polônia levou a uma discussão sobre o que foi dito sobre o sistema antimísseis.

Os assessores de Obama levaram em conta que se uma confusão sobre um assunto tão delicado apareceu por causa de uma ligação de apenas cinco minutos, então a chance de encontros em pessoa com líderes estrangeiros seria arriscado neste momento. Ele ainda nem designou um secretário de Estado, um secretário do Tesouro e um conselheiro de segurança nacional.

Ao invés disso, a equipe de Obama está lutando para encontrar um substituto para ir ao encontro dos visitantes estrangeiros, enquanto enfatiza que Bush continua sendo o líder do país até o dia 20 de janeiro. Não é apropriado que duas pessoas apareçam nesse encontro, disse John D. Podesta, co-presidente da equipe de transição de Obama.

Opiniões diversas

A Casa Branca não se mostrou decepcionada e prometeu trabalhar juntamente com o presidente eleito. Continuamos trabalhando com a equipe de transição no ponto importante da economia e nos manteremos abertos para quando quiserem marcar um encontro, disse Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca.

Veteranos em assuntos estrangeiros disseram que Obama está tentando se manter a salvo e evitando ser forçado a tomar posições em assuntos sobre os quais ele ainda não está autorizado a decidir e muito menos tomar posse dos problemas e decisões de Bush.

Eu entendo um pouco porque ele não pode ir ao encontro, disse o deputado Howard L. Berman, democrata da Califórnia, presidente do Conselho da Câmara das Relações Exteriores. E se a administração fizer uma sugestão com a qual ele não concorde? Ele deveria se levantar e dizer algo? Seu silêncio seria um consentimento? Acho que ele está fazendo a coisa certa.

Stephen D. Krasner, ex-diretor de política de planejamento no Departamento de Estado do governo Bush, disse que Obama não deveria assumir um papel que ele ainda não tem formalmente. Isso pode parecer estranho, disse, mas o fato principal é que se trata de um governo que opera pela lei e Obama não tem autoridade até que tome posse.

Tradição

O período entre a eleição e a cerimônia de posse frequentemente tem causado tensão e incertezas quando se trata de relações exteriores. Lyndon B. Johnson queria que seu sucessor apoiasse conversas de paz com o Vietnã do Norte e conversas sobre armamentos com a União Soviética, mas Richard M. Nixon não se rendeu a essas tentativas. O primeiro presidente Bush mandou tropas para a Somália após perder a reeleição, mas antes de Bill Clinton tomar posse.

O protocolo para fazer os primeiros contatos com líderes estrangeiros pode ser complicado e delicado. Novos presidentes tradicionalmente encontram primeiramente o primeiro-ministro do Canadá ao tomarem posse, uma saudação para seu status único como nação vizinha e parceira de comércio.

Em janeiro de 1993, Clinton se encontrou com o presidente do México no Texas como presidente eleito, levantando protestos do Canadá. Ele respondeu prometendo que ao tomar posse sua primeira visita estrangeira seria feita ao primeiro-ministro.

Em outra ocasião similar, os canadenses ficaram desapontados quando o atual presidente Bush tomou posse em 2001 e imediatamente marcou uma viagem ao México. Bush corrigiu a situação trazendo o primeiro-ministro do Canadá a Washington para um encontro rápido antes de decolar para o outro país.

Outras preocupações

Obama pediu um esforço mundial coordenado com outros companheiros do G-20 durante sua campanha em uma parada em Miami, em setembro. Mas alguns de seus assessores disseram que o momento da reunião nesta semana não foi por escolha deles e que desejavam que houvesse uma forma agradável de cancelá-la ou ao menos adiá-la.

Obama continua retornando as ligações de cumprimentos. Nesta terça, 11, falou com os líderes da Índia, do Quênia, da Jordânia e com o papa Bento 16. Mas seus assessores dizem que não seria prático comparecer em um encontro secundário sobre economia com alguns ou todos os 19 líderes visitantes.

Peter D. Feaver, ex-conselheiro estratégico do Conselho de Segurança Nacional de Bush, disse que o encontro com visitantes estrangeiros deveria ser de baixa prioridade neste momento. Para organizar e construir uma sociedade bilateral como esta que apenas consome o tempo e a energia da equipe que poderia ser direcionada para o plano de transição, para o plano de 100 dias, para a equipe e assim por diante, disse. E os resultados seriam bem poucos.

Por PETER BAKER

Leia mais sobre Obama

    Leia tudo sobre: obama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG