Líderes africanos confirmam acordo no Zimbábue, mas oposição ainda resiste

PRETORIA, África do Sul - Depois que a maratona de negociações entre líderes africanos a respeito da crise no Zimbábue foi concluída na manhã desta terça-feira, o presidente da África do Sul anunciou que a oposição do país havia concordado em participar de um governo de união com o presidente Robert Mugabe. Mas o porta-voz desta mesma oposição disse que tal acordo não aconteceu.

The New York Times |

As negociações acabaram em confusão, não ficando claro se o líder da oposição Morgan Tsvangirai concordará em assumir como primeiro-ministro no dia 11 de fevereiro, como previu o presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, no final das negociações realizadas entre os líderes da Cúpula da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), um bloco de 15 países.

O comunicado divulgado nesta manhã afirmava essencialmente que Tsvangirai e seu Movimento para a Mudança Democrática haviam concordado com a mesma proposta que rejeitaram em novembro em outra rodada de negociações.

O acordo proposto pelos líderes africanos não incluía nenhuma das garantias exigidas por Tsvangirai para participar do governo de união. Entre elas estava a libertação de ativistas cívicos e trabalhadores da oposição política que foram sequestrados e supostamente torturados desde outubro pelas forças de segurança de Mugabe, bem como o compromisso de que o partido de Tsvangirai irá controlar o ministério que supervisiona a polícia.

Motlanthe disse em uma coletiva de imprensa que Tsvangirai e seu partido apoiariam a aprovação de uma emenda constitucional que estabeleça a estrutura para um governo de "união" do qual participaria.

"Sim, claro que irão garantir que a emenda 19 seja criada e se apresentarão no dia marcado para a cerimônia de posse", ele disse. 

Mas Nelson Chamisa, porta-voz do Movimento de Mudança Democrática, disse em uma entrevista ao telefone imediatamente depois da coletiva de imprensa que anunciou a decisão que as questões que o partido levantou não foram satisfatoriamente consideradas e que sua participação no governo será decidida apenas pela liderança nacional em um encontro na sexta-feira.

Ele disse que o partido está decepcionado com o resultado das negociações. "Nós esperávamos mais", ele disse. "O Zimbábue merece mais".


Manifestante protesta contra o governo de Mugabe / AP

Por CELIA W. DUGGER

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