Líder do Hamas em Gaza defende referendo em disputa com Israel

Para Ismail Haniyeh, impasse entre palestinos e israelenses deve ser submetido à consulta de todos os palestinos ao redor do mundo

The New York Times |

O líder do governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, levantou a ideia de que qualquer solução da disputa entre palestinos e israelenses deve ser submetida a um referendo de todos os palestinos ao redor do mundo e que, se fosse realizado, o Hamas poderia aceitar os resultados, não importando quais sejam.

No passado, quando o presidente Mahmoud Abbas da Autoridade Palestina mencionou realizar tal referendo, o Hamas havia sido crítico, dizendo que princípios como o regresso dos refugiados e as fronteiras do Estado não poderiam ser sujeitos a uma votação.

Mas no início do mês, Haniyeh, falando em uma reunião rara com repórteres de organizações estrangeiras em seu escritório na cidade de Gaza, disse: "Aceitaremos o resultado do referendo, mesmo se ele contradisser as nossas convicções e políticas".

O Hamas defende a destruição de Israel e diz que todas as terras palestinas, entre o Mar Mediterrâneo e o rio Jordão, são uma herança sagrada islâmica a qual ninguém tem o direito de desistir.

A Autoridade Palestina detém o controle da Cisjordânia, mas foi expulsa de Gaza pelo Hamas em uma breve guerra civil em 2007, depois que o Hamas venceu as eleições parlamentares no país em 2006. A liderança do Hamas está dividida entre Gaza, considerados mais pragmáticos, e aqueles na capital da Síria, Damasco.

Haniyeh também disse que seu governo pretende manter em Gaza o estado de cessar-fogo com Israel ativo em 2011. Ele disse que uma das prioridades do governo "para o próximo ano é manter o entendimento nacional dentro de Gaza no qual as facções da resistência palestina atuam atualmente". Esse entendimento é que foguetes não serão disparados de Gaza contra Israel a menos que a Faixa seja atacada. Hamas e Israel têm observado uma trégua, instável e não declarada desde que Israel encerrou sua invasão de três semanas, quase dois anos atrás. O objetivo declarado daquela operação era interromper o lançamento de foguetes.

Al-Qaeda

Haniyeh negou a presença de qualquer célula da Al-Qaeda na Faixa de Gaza e condenou os ataques israelenses que mataram três militantes filiados ao grupo Exército do Islã, inspirado na Al-Qaeda, no mês passado. "Este é um assassinato perigoso", disse ele. Ele acrescentou que todos os grupos militantes na Faixa de Gaza trabalhavam apenas dentro de suas fronteiras nacionais, negando relatos de Israel de que os mortos estavam planejando atentados contra turistas israelenses na península do Sinai.

Haniyeh criticou diplomatas europeus que visitam Gaza e não se encontram com membros de seu governo ou do movimento Hamas. "Não entendemos por que eles não se encontram com o governo legal", disse ele. Ele disse que seu governo começou a contactar organizações das Nações Unidas em Gaza, que organizam a agenda dos diplomatas e passeios na faixa litoral, para enfatizar que os visitantes "devem coordenar" suas visitas com o Hamas, mesmo que não querem encontrá-lo. "Eles deviam bater na porta e pedir permissão antes de entrar na nossa casa", disse ele.

Israel não relaxou o bloqueio, Haniyeh disse, acrescentando que tinha apenas "aplicado mudanças marginais" na sua política em relação a Gaza desde junho.

Israel agora permite a entrada da maioria dos bens civis em Gaza. A decisão foi tomada após críticas mundiais a seu ataque em maio a uma flotilha de ajuda a Gaza, na qual oito turcos e um jovem americano foram mortos. "Não há mudança essencial na natureza do cerco", disse Haniyeh.

*Por Akram Fares

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