Lições políticas e econômicas para Obama

De repente, tudo que era antigo é novamente o New Deal. Reagan saiu; Franklin Delano Roosevelt entrou. Ainda assim, qual a direção que a era Roosevelt ofereceu ao mundo atual?

The New York Times |

A resposta é: muito. Mas Barack Obama deveria aprender com os erros de Roosevelt tanto quanto com seus feitos: a verdade é que o New Deal não deu certo no curto prazo como deu no longo prazo. E a razão para o sucesso limitado de Roosevelt no curto prazo, o que quase arruinou todo seu programa, foi o fato de que suas políticas econômicas eram muito cautelosas.

Quanto às realizações do New Deal no longo prazo: as instituições construídas por Roosevelt se provaram duráveis e essenciais. De fato, elas continuam sendo o fundamento da estabilidade econômica nacional. Imagina o quanto a crise financeira seria pior se o New Deal não tivesse assegurado a maioria dos depósitos bancários. Imagine o quanto inseguros se sentiriam os americanos mais velhos caso os republicanos tivessem desmantelado a segurança social.

Será que Obama pode conseguir algo comparável? Rahm Emanuel, novo chefe de gabinete de Obama, declarou que você não quer que uma crise seja desperdiçada. Os progressistas esperam que a administração de Obama, assim como o New Deal, reaja à economia e à crise financeira atual criando instituições, especialmente um sistema de saúde pública universal, que irá mudar o formato da sociedade americana para as gerações futuras.

Histórico

Mas a nova administração deveria tentar não imitar os aspectos não tão bem sucedidos do New Deal: é inadequado reagir à Grande Depressão.

Agora, há toda uma indústria intelectual, funcionando principalmente com máquinas de pensar direitistas, devotadas a propagar a idéia de que Roosevelt na verdade tornou pior a Depressão. Então é importante saber que a maioria do que se ouve sobre esse assunto é baseado em representações deliberadamente deturpadas dos fatos. O New Deal trouxe uma reparação verdadeira para a maioria dos americanos.

Dito isso, Roosevelt não pretendia, na realidade, projetar toda a recuperação de uma economia durante seus dois primeiros mandatos. Sua falha é frequentemente citada como uma prova contra a economia keynesiana, que diz que o crescimento dos gastos públicos pode parar a circulação da economia. Mas o estudo definitivo da política fiscal nos anos 30, pelo economista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) E. Cary Brown conseguiu uma conclusão bem diferente: o estimulo fiscal foi mal sucedido não porque não funciona, mas porque não se tentou usá-lo.

Ganhos e perdas

Isso parece difícil de acreditar. O New Deal colocou corretamente milhões de americanos na folha de pagamento através do Works Progress Administration (WPA) e do Civilian Conservation Corps (CCC). Até hoje dirigimos nas estradas construídas pela WPA e mandamos nossas crianças para escolas construídas pela WPA. Todos esses trabalhos públicos não atingiram um estimulo fiscal maior?

Bem, não foi tão grande quanto se imagina. Os efeitos dos gastos com trabalhos públicos federais foram amplamente compensados por outros fatores, como um aumento notável nos impostos, decretado por Herbert Hoover, cujos efeitos não foram completamente sentidos até que seu sucessor assumiu o poder. Além disso, a política expansionista no nível federal foi enfraquecida pelo corte nos gastos e pelo aumento dos impostos estaduais e locais.

E Roosevelt não apenas relutou em prosseguir com a expansão fiscal geral ¿ ele estava ansioso para retomar princípios orçamentários conservadores. Essa ansiedade quase destruiu seu legado. Após ganhar a eleição com uma vitória esmagadora em 1936, a administração de Roosevelt cortou os gastos e aumentou os impostos, precipitando uma recaída econômica que levou a taxa de desemprego novamente aos dois dígitos e conduziu a uma nova derrota nas eleições convocadas no meio do mandato, em 1938.

Lições

O que salvou a economia, e o New Deal, foram os enormes projetos de trabalhos públicos conhecidos como Segunda Guerra Mundial, que finalmente ofereceu um estimulo fiscal adequado para as necessidades da economia. Essa história dá lições importantes para administrações futuras.

A lição política é que os passos errados da economia podem rapidamente levar ao questionamento do mandato eleitoral. Os democratas ganharam de longe na semana passada ¿ mas ganharam muito mais em 1936, para então ver seus ganhos evaporarem após a recessão de 1937-38. Os americanos não esperam resultados instantâneos da economia da próxima administração, mas esperam resultados e a euforia dos democratas durará pouco se não entregarem essa recuperação econômica.

A lição de economia é a importância de fazer o suficiente. Roosevelt pensou que estava sendo prudente ao frear seu plano de gastos; quando na realidade, estava correndo grandes riscos para a economia e para seu legado. Meu conselho para o pessoal de Obama é descobrir o quanto de ajuda eles acham que a economia precisa, para cometer erros com estímulos demais e não em estímulos de menos.

No curto prazo, as chances de Obama liderar um novo New Deal depende majoritariamente se seus planos econômicos no curto prazo serão ousados o suficiente. Os progressistas só podem esperar que ele tenha a audácia necessária.

Por PAUL KRUGMAN

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