Libertados de Guantánamo, muçulmanos da minoria Uighur aproveitam liberdade em Bermuda

ST. GEORGE, Bermuda - Quase um ano depois de chegar a Guantánamo acorrentados e acusados como inimigos combatentes e quatro dias depois de seu voo matinal surpresa para Bermuda, quatro muçulmanos da minoria chinesa Uighur aproveitavam sua recém-conquistada liberdade, gratos pelos apertos de mãos oferecidos por muitos dos moradores locais e maravilhados com a serena beleza desta imaculada ilha turística.

The New York Times |

"Eu nadei no oceano pela primeira vez na minha vida ontem e foi o dia mais feliz que já tive", disse Salahidin Abdulahat, 32.

No domingo, eles elogiaram Bermuda por mostrar coragem diante das possíveis pressões chinesas, que na sua opinião as potências europeias não conseguiram ter.

Os homens estavam entre um grande grupo de Uighurs que fugiram do que disseram ser uma perseguição perpretada contra a minoria muçulmana no oeste da China e passaram parte de 2001 em um campo Uighur no Afeganistão.

Eles fugiram de lá, aparentemente desarmados, quando os americanos bombardearam o acampamento e mais tarde foram entregues às autoridades por camponeses paquistaneses em troca de uma recompensa americana.

Os quatro que foram trazidos para cá, bem como outros 13 Uighurs que ainda estão em Guantánamo mas devem partir em breve para outros países, foram inocentados por oficiais e cortes americanas de resistir armados aos Estados Unidos ou de qualquer elo com o terrorismo internacional.

Mas propostas de restabelecê-los nos Estados Unidos causaram um furor político que a gestão Obama não queria agravar. 

Sua colocação nesta colônia britânica, conhecida pelos esportes náuticos e prédios de cores pastel, é um pequeno passo desta gestão em direção ao fechamento de Guantánamo até janeiro. A medida criou uma tempestade política para o primeiro-ministro de Bermuda, que alguns dizem ter agido de maneira autocrática e irritado o Britain's Foreign Office, que é responsável pela política externa e diz não ter sido consultado.

Mas a maioria das objeções tem relação com o sigilo do acordo, ao invés de temores em se ter ex-suspeitos de terrorismo no país, como se expressa nos Estados Unidos.

Conforme os homens saem da casa que ocupam temporariamente até que consigam empregos e decidam o que farão em seguida, as pessoas geralmente vêm cumprimentá-los e lhes desejar bem, algo que os homens dizem que os toca profundamente. 

Os quatro dizem que não querem saber de seu ostensivo país natal, a China, que exige sua repatriação e certamente os colocaria na prisão.

As negociações estão em andamento para que os outros 13 Uighurs sejam enviados às ilhas Palau, no Pacífico.

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