Lei que regulamenta qualidade do ar gera debate em Nova York

NOVA YORK - Donos de fábricas, acadêmicos, moradores e uma longa lista de outras pessoas testemunharam na audiência do Conselho Municipal na terça-feira contra a lei que tornará Nova York a primeira cidade do mundo a exigir que certos detectores de radiação química, biológica e de nuclear sejam registrados na polícia. Eles dizem que a medida, que a administração de Bloomberg pressiona para que seja aprovada, é desnecessária, intrusiva e improdutiva.

The New York Times |

As autoridades do Departamento de Polícia que apareceram diante do Comitê de Segurança Pública disseram que a lei minimizará o risco de falsos alarmes sobre ataques químicos ou biológicos.

Mas os opositores dizem, e a polícia confirma, que nenhum falso alarme foi registrado em Nova York. Além disso, eles expressam preocupação que a vistoria da polícia impediria tentativas de controle do ar independentes. Eles dizem que sob essa lei, grupos de cidadãos não teriam sido capazes de testar o ar e contradizer relatórios oficiais ultra-otimistas da qualidade do ar depois da destruição das torres gêmeas em 11 de setembro de 2001.

A proposta de lei "teria um efeito sinistro sobre a amostragem ambiental e ocupacional independentes", diz David M. Newman, sanitarista do Comitê de Segurança e Saúde Ocupacional de Nova York, uma organização sindical.

Newman diz estar preocupado que a lei dará à polícia o poder de apreender mecanismos de medição, ordenar que não sejam utilizados e emitir mandatos caso um policial decida que o uso dos instrumentos é inapropriado ou que o proprietário não possui permissão.

Autoridades policiais de alto escalão consideram esses medos exagerados. Richard A. Falkentrath, vice-comissário anti-terrorismo do Departamento de Polícia, disse que em resposta às críticas depois que o projeto de lei foi proposto em janeiro, emendas foi acrescentadas para excluir a maioria dos monitores de ar manuais utilizados em hospitais, escolas e sindicatos.

"Não vejo nenhum infringimento das liberdades pessoais", disse Falkenrath. Segundo ele, a lei tem como objetivo cobrir os mecanismos de alarme que grandes companhias instalam em seus prédios. Seu registro e aprovação tornaria mais fácil para a polícia reagir prontamente de forma mais eficiente, ele disse.

Peter F. Valone Jr., presidente do comitê, promoveu a lei, a pedido da administração Bloomberg. "O objetivo aqui é regulamentar os aparelhos usados como alarmes e não aqueles utilizados por indivíduos depois de um evento", disse Valone.

Apoio à lei veio do Grupo Americano Internacional, uma grande companhia de seguros localizada na baixa Manhattan que instalou alarmes em três prédios de sua companhia em Nova York. E de Charles J. Maikish, ex-diretor do World Trade Center que agora é presidente do Toxin Alerting Building Systems, uma companhia de seguros privada, disse que a eliminação de falsos alarmes sobre ataques químicos ou biológicos é "uma questão essencial para o setor privado".

O comitê de segurança pública deve rever a lei antes de sua votação.

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