Muita da atenção dada à quantidade de dinheiro que transita pela disputa presidencial deste ano, inclusive aos surpreendentes US$150 milhões arrecadados pelo comitê do senador Barack Obama em setembro, como ele anunciou no domingo, se concentra na explosão de pequenos doadores.

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Mas há outra mudança no cenário de arrecadação nacional que não estava completamente aparente até que os relatórios financeiros de campanha foram entregues na semana passada: pessoas doaram milhares de dólares de uma só vez para ajudar os candidatos.

Com autorização de sutilezas da leis de financiamento, essas pessoas doaram grandes cheques, que excedem em muito o limite das contribuições individuais aos candidatos, aos comitês conjuntos de arrecadação que beneficiam tanto o candidato como seu partido.

Muitos destes grandes doadores são de setores com interesses em Washington. Uma análise dos doadores responsáveis por cheques de $25 mil ou mais, realizada pelo The New York Times, descobriu que a maior parte do dinheiro oferecido a ambos os candidatos veio do setor financeiro e de investimento, inclusive de muitas empresas envolvidas na atual crise, como Bear Stearns, Lehman Brothers e AIG.

Os comitês conjuntos de arrecadação foram utilizados mais amplamente nesta disputa eleitoral do que em outras. O comitê de Obama se apoiou em beneficiários ricos que doaram até US$33.100 de uma só vez para complementar seu exército de pequenos doadores da Internet enquanto ele recusava o financiamento público para a eleição geral. Mais de 600 doadores contribuíram com US$25 mil ou mais apenas em setembro, quase três vezes o número de pessoas que fez o mesmo pelo senador John McCain.

O comitê de McCain, que não havia revelado a maior parte de seus doadores até a semana passada, levou o conceito a outro nível, encorajando os doadores abonados a assinarem cheques de mais de US$70 mil, ao realizar festas estaduais com este fim.

Cada candidato tem cerca de 2 mil doadores que ofereceram US$25 mil ou mais a seus comitês de arrecadação ao longo de setembro.

As doações a esses comitês conjuntos de arrecadação aumentaram neste ciclo eleitoral, recebendo quase US$300 milhões este ano, com McCain recebendo pouco mais que Obama, em comparação aos US$69 milhões de 2004. Grupos fiscalizadores das finanças de campanha alertaram que a tendência é preocupante, argumentando que a ênfase sobre tais acordos coloca os candidatos à mercê dos doadores que assinam cheques mais altos do que deveriam.

"Isso subverte a idéia de limite para as contribuições", disse Steve Weissman, vice-diretor do Instituto de Finanças de Campanha.

Por MICHAEL LUO e GRIFF PALMER

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