Kosovo quer ajuda dos EUA para dialogar com Sérvia

Dois anos após declarar independência, país quer auxílio dos americanos para conter constante tensão nos Bálcãs

The New York Times |

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Primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaci, durante encontro em Washington com o vice-presidente dos EUA, Joe Biden (21/07)
A equipe do presidente Barack Obama está ocupada com a retirada de tropas do Iraque e o destacamento de tropas no Afeganistão, esperando - em ambos os casos - construir governos que possam cuidar de seus próprios países. Enquanto isso, o último projeto americano deste tipo no exterior, ainda incompleto, permanece praticamente esquecido, mas atinge um ponto crítico nesta semana.

Antes do Afeganistão e do Iraque, houve Kosovo, a preocupação de Washington uma década atrás que hoje está fora do radar.

Onze anos depois de as forças da Otan terem expulsado as forças sérvias e dois anos depois de Kosovo declarar independência, a jovem nação está se esforçando para consolidar sua posição no mapa mundial e buscando ajuda americana.

O primeiro-ministro Hashim Thaci foi à capital americana para a semana mais importante do Kosovo desde que assumiu o Estado. Na quarta-feira, ele se reuniu com o vice-presidente Joe Biden e aceitou um pacote de empréstimos internacionais.

Mas, principalmente, ele queria estar em Washington nesta quinta-feira, quando a Corte Internacional de Justiça considerou válida a declaração de independência de 2008.

Em meio à tensão a respeito dos sérvios que vivem no norte do Kosovo, Thaci pediu a ajuda de Washington para que seu país se reconcilie com a Sérvia.

"Desde a proclamação da independência, a Sérvia não mostrou qualquer vontade de cooperar", ele disse. "Nós mostramos a nossa boa vontade para cooperar como dois países separados. A Sérvia desempenhou um papel destrutivo durante, apoiando o contrabando no norte do Kosovo".

O governo sérvio acusa o Kosovo de não estar disposto a se comprometer.

"Nós atuamos de maneira construtiva na região e vamos continuar a fazer isso", disse Vladimir Petrovic, embaixador sérvio em Washington. "Não vejo como culpar alguém pode ajudar neste processo".

Ele afirmou que o Kosovo não fez o suficiente para proteger a minoria sérvia, mas disse esperar que a decisão da Corte Internacional de Justiça abra espaço para novas conversações.

"Nós gostaríamos que os Estados Unidos e outros países apoiassem uma reunião de todos os lados para que se chegue a uma solução mutuamente acordada", disse.

Tudo isso, naturalmente, coloca o governo Obama no meio da questão, sem caminho claro para uma resolução final.

"Isso irá reabrir a caixa de Pandora e a pergunta é: o que fazer a respeito?", disse Alan J. Kuperman, especialista sobre Kosovo da Universidade do Texas.

Kuperman disse que o governo Obama deve pressionar o Kosovo para conceder maior autonomia para os sérvios do norte, mas "não acho que estamos dispostos a falar duro com os albaneses".

Por Peter Baker

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