Kaká confere toque de classe ao futebol da seleção brasileira

PRETORIA, África do Sul - Aos cinco minutos do jogo de estreia do Brasil na Copa das Confederações, Kaká recebeu um passe com o pé esquerdo, driblou um defensor egípcio, depois outro, e balançou a rede.

The New York Times |

Nos últimos momentos do jogo de segunda-feira passada, depois que um jogador egípcio recebeu um cartão vermelho por usar seu braço para impedir um lançamento, Kaká marcou de pênalti, dando a vitória ao Brasil por 4 a 3. Na quinta-feira, em uma vitória de 3 a 0 sobre os Estados Unidos, ele manteve um incansável contra-ataque e partiu para cima dos americanos, com a bola colada a seu pé como se fosse feita de velcro.

Iminente é a antecipada disputa contra a Espanha, campeã europeia cuja invencibilidade chega a 35 jogos, a mesma do recorde internacional brasileiro estabelecido em 1996, na final do dia 28 de junho.


Kaká comemora gol na Copa das Confederações / AP

Até o momento, Kaká não fez nada como o meio campo que sugira que o Real Madrid desperdiçou os US$ 92 milhões que gastou ao comprar seu passe do A.C. Milan este mês, ou que o Brasil vá voltar a este país no próximo ano como uma ameaça menor do que geralmente é quando está em busca de um título da Copa do Mundo, que seria o seu sexto.

"Ele é um jogador fantástico", disse Landon Donovan, capitão da seleção dos Estados Unidos, sobre o seu companheiro de camisa 10.

"Quando eles têm a bola, ele faz um ótimo trabalho em manter o ritmo de jogo. Então, quando vê uma oportunidade, ele parte para o ataque. Ele faz o passe certo e é ótimo diante do gol. Além disso, ele é fisicamente avantajado. Nós esquecemos do quão alto ele é, porque é forte e rápido também. De muitas maneiras, ele é o jogador de futebol ideal".

No entanto, ele não é o jogador de futebol brasileiro típico. Kaká, 27, é filho de um engenheiro civil, nascido na classe média, não nas empobrecidas favelas, impecável com a bola mas sem ostentações. Ele é o líder de uma seleção que está aqui sem Ronaldinho ou Ronaldo, um time estruturado por Dunga para que dependa de todos os jogadores e do contra-ataque, uma equipe que pode articular jogadas brilhantes mas parece mais motivada pelo trabalho em equipe do que por personalidades exibicionistas.

"Ele é um dos dois melhores jogadores do mundo", disse o goleiro americano Tim Howard. "para mim, ele é incrível, porque grande parte do que faz não tem ostentação. Eu acho que Cristiano Ronaldo é o outro grande jogador do mundo, mas ele é exibicionista. Com Kaká, tudo parece ser simples, sem frustrações".

Ricardo Izecson dos Santos Leite (um nome bonito, mas difícil de caber em uma camiseta de futebol) é conhecido como Kaká porque era assim que seu irmão mais novo conseguia pronunciar Ricardo quando criança.


Torcida italiana faz festa por Kaká / AP

Aos 7 anos, Kaká já era um prodígio do futebol, fazendo parte do time de pequenos jogadores do São Paulo F.C. Aos 18, sua carreira sofreu um golpe quando, ao escorregar em um tobogã, ele bateu a cabeça no fundo de uma piscina. Ele disse ao The Daily Mail de Londres que voltou a treinar por dois dias até que a dor se tornou insuportável. Exames mostraram que Kaká havia quebrado uma vértebra cervical. Os médicos disseram que ele teve sorte de não ter ficado paralisado.

Durante sua recuperação, Kaká disse ao jornal londrino, ele determinou uma lista de objetivos: jogar para a seleção brasileira, jogar na Copa do Mundo e vencer a Liga dos Campeões. Todos se cumpriram.

Na Copa do Mundo de 2002, Kaká teve um papel periférico, entrando em campo por meros 25 minutos no ano que o Brasil conquistou seu quarto título. Em 2006, ele marcou apenas um gol e o Brasil foi eliminado pela França nas quartas de final. Em 2007, no entanto, seu estilo o elegeu como jogador do ano e seu time, o A.C. Milan, ganhou a Liga dos Campeões. Sempre que ele marca pela seleção brasileira, a equipe vence.

Ao mesmo tempo, Kaká cultivou a imagem de ser tanto sexy quanto casto, aparecendo sem camisa em comerciais e dizendo que ele e sua mulher eram virgens até seu casamento em 2005. Um devoto cristão evangélico, ele muitas vezes usa camisetas que dizem "I belong to Jesus" (Eu pertenço a Jesus, em tradução literal) por baixo de sua camisa de jogo.

Ele é muito popular no Brasil. Mas, de acordo com as notícias locais, sua ligação com controversos líderes da Igreja Renascer em Cristo, e sua decisão de colocar seu troféu de jogador do ano de 2007 na sua sede, gerou preocupações entre os fãs e dúvidas por parte dos investigadores responsáveis pelo caso de lavagem de dinheiro envolvendo os pastores.

Fora do futebol, Kaká é embaixador contra a fome do Programa de Alimentos da ONU. Quando foi vendido ao Real Madrid este mês, uma medida para melhorar a posição do clube diante de seu rival Barcelona e ajudar a aliviar a dívida do clube italiano, o A.C. Milan disse que Kaká "é um exemplo de profissionalismo e compromisso".


"Kaká, me adote", diz placa de torcedora na África do Sul / AP

Aqui na Copa das Confederações, o Brasil é essencialmente seu time. Quando Kaká pediu para bater o pênalti contra o Egito ele demonstrou sinais de seu novo papel através da disposição em aceitar maiores responsabilidades.

"Eu acho que minha atitude hoje é aquela que as pessoas esperam de mim na seleção", disse Kaká ao website da Fifa. "É um papel que eu aceito com gratidão por ser uma progressão natural, não algo que me foi forçado".

Não importa qual seja o papel, há apenas uma expectativa para sua equipe (a bela vitória), ele disse depois de vencer os Estados Unidos. "Nós temos que ser o Brasil em cada jogo", disse Kaká.

- JERE LONGMAN

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