Kadafi usa dinheiro de petróleo para comprar apoio na região

Da Libéria passando pela África do Sul até a ilha de Madagascar, a Líbia usa seu dinheiro para ganhar mercenários africanos

The New York Times |

Elhadj Maiga é um orgulhoso recrutador de Muamar Kadafi, que tem se esforçado para montar um exército de jovens de Mali para lutar ao lado do grande líder. "Estamos todos prontos para morrer por ele", disse Maiga. "Afinal, ele fez tanto por nós".

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Mercenários do Mali, recrutados por Kadafi, mostram cartaz para lutar ao lado de líder líbio
Mali, um país desesperadamente pobre que fica perto da Líbia, é um exemplo da fidelidade que Kadafi comprou em muitas partes do continente.

Da Libéria passando pela África do Sul até a ilha de Madagascar, a Líbia usa seu dinheiro como um gigantesco fundo de capital de risco para fazer amigos e ganhar influência na região mais pobre do mundo.

Isso pode ajudar a explicar como Kadafi foi capaz de convocar soldados africanos para lutar ao lado dele – os líbios têm falado de "mercenários africanos" matando manifestantes e ajudando a derrotar os rebeldes – e porque muitos líderes africanos têm sido tão lentos em criticá-lo, mesmo sabendo que suas forças têm exterminado seu próprio povo.

"Muitos desses presidentes, em um momento ou outro, obtiveram algo diretamente com ele", disse Manny Ansar, um intelectual de destaque de Mali. "Então o que vão dizer agora?".

Enquanto a Liga Árabe foi rápida em suspender a Líbia no mês passado e chegou a pedir ao Conselho das Nações Unidas que impusesse uma zona restrita aos voos sobre o país para impedir os ataques aéreos de Kadafi ao seu povo, a União Africana tem tomado uma postura mais cautelosa, decidindo apenas enviar negociadores que se reunirão com ambos os lados.

Visto como excêntrico e imprevisível, Kadafi nunca foi muito longe como líder no mundo árabe. Mas na África Subsaariana, muitos têm sido inspirados por sua visão de um "Estados Unidos da África" e apreciam suas proclamações antiocidentais.

Dívidas

O governo da Líbia, que é, em essência, Kadafi, também paga 15% das dívidas da União Africana. Ele até conseguiu fazer com que alguns líderes tradicionais africanos o chamem de Rei dos Reis, e em Mali, das ruas ao gabinete do presidente, parece estar perto de ter respeito unânime.

"Algumas pessoas veem o coronel como o diabo, mas ele não é isso", disse Seydou Sissouma, porta-voz do presidente de Mali. "Ele é um grande africano".

Sissouma se irritou com a ideia de que a Líbia compra amigos. "Esse não é o caso", disse ele. "A Líbia aceitou compartilhar seus recursos com os outros. Outros produtores de petróleo africanos, como a Nigéria, não fazem isso”.

*Por Jeffrey Gettleman

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