Juíz ordena investigação de execuções da Era Franco

MADRID ¿ O juiz da cruzada investigativa Baltasar Garson abriu a primeira investigação criminal da Espanha de execuções e repressões ocorridas durante a Era Franco, com uma ordem nesta quinta para abrir 19 túmulos, incluindo um no qual se acreditar estar o poeta Federico Garcia Lorca.

The New York Times |

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Garzon, que tem focado casos de terrorismo nos últimos anos, é frequentemente elogiado por sua tentativa fracassada de processar o General Augusto Pinochet, ditador chileno, em 1998 por crimes contra a humanidade. Mas sua ordem nesta quinta imediatamente levantou controvérsias mesmo da própria Espanha.  Um silencioso e assim chamado pacto de esquecer as atrocidades do passado foram os pilares da transição pacífica para a democracia após os quase 40 anos de ditadura de Franco, que morreu em 1975.

Em um documento de 68 páginas, Garzon aceitou uma petição para investigar o desaparecimento forçado de milhares de pessoas que, como Garcia Lorca, estavam do lado republicano ou foram conectados a ele durante a Guerra Civil da Espanha. A petição foi preenchida por 13 associações de famílias das vítimas.

Garcia Lorca foi executado em Granada, onde nasceu, por um pelotão de fogo no princípio da guerra, que ocorreu de 1936 a 1939. O túmulo onde se acredita que estão seus restos mortais localiza-se perto daqueles nos quais estão uma professora de escola e dois líderes da união, que fica perto da vila Viznar. O lugar acabou se tornando um local de peregrinação para amantes dos versos trágicos e apaixonados de Garcia Lorca, como também de estudantes da história espanhola ¿ muito dos quais deixam flores e recados na sepultura.

A oposição conservadora argumenta que a investigação, juntamente com a legislação atual do governo oferecendo reparações simbólicas às vítimas republicanas, abre velhas feridas. Promotores públicos acreditam que os desaparecimentos estão imunes à acusação sob a Lei de Anistia de 1977 e planejam recorrer.

No começo deste mês, Garzon exigiu informação de igrejas e cidades do país, como também da hierarquia Católica, para recolher a lista definitiva com o nome das vítimas, que agora somam o total de 114.266, de acordo com o documento do tribunal. O juiz também solicitou provas do Ministério do Interior de que 35 generais e ministros dos primeiros anos da ditadura de Franco estão mortos.

O regime de Franco, o juiz escreveu, foram utilizados todos os recursos para localizar, identificar e conceder reparações a vítimas do lado vencedor, mas não ofereceu o mesmo respeito aos perdedores, que foram perseguidos, presos, torturados e desapareceram. Os desaparecimentos, ele concluiu, constitui crime contra a humanidade.

A família de Garcia Lorca por muito tempo se opôs à abertura do túmulo, apesar de as petições feitas pela neta de uma das outras vítimas, que se acreditava estar enterrada no mesmo local. Mas sua sobrinha disse que não iria lutar contra a ordem do juiz.

Não acreditamos que a exumação irá acrescentar algo novo às informações sobre as circunstâncias de sua morte, mas não iremos recorrer, disse a sobrinha Laura Garcia Lorca em uma entrevista por telefone, nesta quinta.

A família, ela acrescentou, acredita que o túmulo em questão deveria permanecer intata como uma testemunha das atrocidades cometidas.

Por DALE FUCHS

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