Judeus voltam a realizar peregrinação em território palestino

NABLUS, Cisjordânia - Eles vieram em ondas, ocupantes judeus, mulheres religiosas da região central de Israel, seguidores chassídicos cobertos em roupas pretas e grupos de meninos e meninas adolescentes, totalizando milhares de pessoas.

The New York Times |

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Acompanhados pelas forças militares israelenses, os peregrinos judeus caminharam silenciosamente através das ruas desertas desta cidade palestina, um enclave militante dominado por gangues até pouco tempo atrás, enquanto os moradores dormiam em suas camas nas primeiras horas de uma manhã recente.

Seu destino era o lugar sagrado conhecido como a Tumba de José, um pequeno composto de pedras no coração de um distrito residencial que muitos judeus acreditam ser o local onde o filho do patriarca bíblico Jacó foi sepultado.

O primeiro grupo chegou por volta da meia-noite. Eles rezaram para conseguir um pouco da rectidão de José, bem como para voltarem em segurança.

Os palestinos querem a retirada israelense da Cisjordânia e controle total sobre cidades como esta. Mas os religiosos judeus, estimulados pelo fervor místico, e a liderança dos judeus assentados na região fortaleceram seu elo para evitar isso.

Para eles esta não é Nablus, uma das maiores cidades palestinas, com população de mais de 120 mil pessoas, mas local da cidade bíblica de Shechem. A tumba, segundo eles, é uma herança dos filhos de José, o que significa que não há dúvidas sobre sua propriedade.

Aqui, o conflito entre Israel e Palestina revela sua essência de conflitos de afirmações sobre territórios, nacionalidade e religião. O novo foco sobre o que os devotos judeus rotularam como uso do poder de José parece refletir uma tendência maior: o afastamento dos assentados de argumentações seguras e o retorno de sua fundamental razão de existência - a convicção religiosa de que esta terra é o berço histórico do judaísmo e não será negociada.

Desde que Israel perdeu o local onde fica a tumba em 2000, peregrinos judeus, principalmente os chassídicos da dinastia Breslov, visitam a região esporadicamente, algumas vezes entrando na cidade de Nablus sozinhos durante a noite.

Os assentados locais dizem que querem estabelecer uma rotina. Desde o começo deste ano, Gershon Mesika, recém-eleito prefeito do conselho Samaria, que representa os assentados na Cisjordânia, fez da retomada das visitas regulares uma prioridade, coordenando com o exército visitas monitoradas pelo menos uma vez ao mês.

"Nossa tomada da Tumba de José fortalece nossa tomada de todo a terra", disse Eli Rosenfeld, funcionário do conselho e ex-coordenador das leituras sagradas na tumba.

Por ISABEL KERSHNER

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