Jovens japoneses recorrem ao trabalho no campo

YOKOSHIBAHIKARI ¿ Em um domingo recente, um grupo diversificado de fazendeiros duvidáveis foram para o campo, com toalhas molhadas em volta do pescoço e botas polidas nos pés.

The New York Times |

Isso é mais difícil do que parece, disse Tatsunori Kobayashi, um zelador da Disney Resort em Tóquio com cabelos espetados. Enquanto falava, ele vagava por um caminho de folhas de espinafre espalhando sementes e atrás de si um equipamento arando a terra irregularmente.

Ele é um dos 2.400 que fazem parte do Esquadrão de Trabalho Rural do Japão. São recrutas da cidade mandados para o campo sob um programa piloto que leva a juventude japonesa desempregada para cultivar terras em fazendas.

A medida começou no mês passado como parte do plano de estímulo do primeiro-ministro Taro Aso. O programa se origina da preocupação com o desenvolvimento tanto do empenho de jovens trabalhadores quanto das condições precárias das fazendas. Em um jogo de palavras, o nome do esquadrão em japonês ¿ Inaka-de-hatarakitai ¿ é também um pedido animado: Nós queremos trabalhar no campo!.

A situação grave dos japoneses entre 20 e 30 anos data da década perdida dos anos 90, quando muitos fracassaram em encontrar trabalhos bons e estáveis. Atualmente, um número desproporcional permanece em trabalhos com baixos salários ¿ um presságio em potencial para os estudantes americanos e candidatos novatos a procura de empregos mergulhando em um raso mercado de trabalho nos Estados Unidos.

Com a piora da recessão japonesa, jovens trabalhadores foram quem sofreram o peso do corte nos salários e demissões, especialmente na manufatura. Agora, o governo vê a depressão ¿ as exportações japonesas caíram quase 50% no período de fevereiro em comparação com 2008 ¿ como uma chance para incentivar trabalhadores ociosos a partirem para setores que sofreram por muito tempo com falta de candidatos, como a agricultura.

Muitos jovens japoneses mostraram por si mesmo interesse crescente na agricultura, enquanto a desilusão cresce em relação à escassez de empregos na cidade e as demissões. As feiras de trabalho rural estão se enchendo de centenas de candidatos. Uma exposição em Osaka atraiu 1.400 pessoas.
Pessoas jovens querem empregos e fazendeiros precisam de mão-de-obra extra, disse Isao Muneta, oficial do Ministério da Agricultura que coordena o programa de 1,3 milhões de yens (US$ 13 milhões), que é parte de um grande pacote de estímulo. É o par perfeito.

Se essa medida salvará a deterioração da economia japonesa é outro assunto. As comunidades rurais poderiam se beneficiar com o influxo de jovens, disse Masashi Umemoto no Centro Nacional de Pesquisa em Agricultura. Mas não é realista pensar que a agricultura é uma solução para os problemas de desemprego do país.

Não há trabalhos rurais suficiente para todos, acrescentou.

Por HIROKO TABUCHI


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