Jovens escritores encontram editores perfeitos: os pais

Nos EUA, empresas de autopublicação encorajam autores de todas as idades a vencer obstáculos da indústria

The New York Times |

A reportagem transmitida na televisão local sobre o aluno da oitava série Ben Heckmann, de Farmington, Minnesota, foi só elogios. "Aos 14 anos, ele conquistou algo que muitos adultos não conseguem", explicou o repórter. "Ben é um autor com dois livros publicados."

Mas os dois volumes - intitulados "Velvet Black" (Veludo Preto, em tradução livre), que detalham e descrevem as travessuras de uma banda de rock fictícia - não foram descobertos em uma pilha de manuscritos por uma editora com olhos de águia. Ambos foram autopublicados, a um custo de US$ 400 coberto pelos pais de Bem. O dinheiro foi recuperado com a venda de 700 exemplares.

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NYT
Ben Heckmann, 14 anos, que publicou livros financiados pelos pais, conversa com alunos de escola em Farmington, Minnessota (14/03)

Nos últimos cinco anos, a publicação por conta própria têm levado escritores de todas as idades a contornar o sistema tradicional dominado pelas editoras. As mães e pais que pagam a conta dizem estar simplesmente tentando incentivar seus filhos. Mas outros veem a diluição da fronteira entre a publicação e a autopublicação como uma oportunidade perdida de ensinar as crianças sobre a necessidade de perseverança.

Os próprios jovens autores, criados em uma era de mídias sociais, aceitam a autopublicação como algo natural.

"O mundo está mudando e agora é possível que as pessoas façam qualquer coisa que quiserem", disse Elizabeth Hines, uma jovem do ensino médio de Annapolis, Maryland, cujo romance de estreia, "The Last Dove" (A Última Pomba, em tradução livre), foi lançado recentemente pela Xlibris, uma empresa de autopublicação.

Os pais de Elizabeth debateram os méritos da autopublicação, explicou sua mãe Jacqueline. Eles chegaram à conclusão que "autoestima não é uma coisa ruim para crianças desta idade", disse Jacqueline Hines.

Os críticos, embora afirmem que começar a escrever cedo é algo maravilhoso, temem que a autopublicação passe a mensagem errada.

"O que virá depois disso?" perguntou o romancista Tom Robbins. "Crianças arquitetas, dentistas, cientistas? Qualquer pai que pensa que criar uma ficção envolvente, significativa e publicável requer menos talento e experiência do que projetar uma casa, extrair um dente do siso ou supervisionar uma sonda lunar está francamente delirando."

A editora de Ben Heckmann, a KidPub Press, revelou que a maioria de suas vendas são feitas para a própria família dos autores, que compram os livros em atacado. O fundador e editor Perry Donham disse que é "muito incomum" que um autor da KidPub venda mais de 50 cópias na Amazon.com, por exemplo.

Ken, o pai de Ben, disse que a aspiração de seu filho "não é vender mais do que Harry Potter", mas sim "obter essa boa sensação de que concluiu alguma coisa."

"Ele pode jogar basquete em casa ou entrar para uma equipe. Esta é sua equipe", disse Heckmann. "Este é o basquete de Ben."

Por Elissa Gootman

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