Jovens com doenças mentais sobrecarregam sistema reformatório americano

FRANKLIN FURNACE, Ohio - Conforme Estados com pouca verba optam por cortar programas de saúde mental em comunidades e escolas, eles cada vez mais confiam ao sistema reformatório juvenil o controle de uma geração de jovens infratores com desordens psiquiátricas.

The New York Times |

Cerca de dois terços dos detentos juvenis dos Estados Unidos (cujo total chegou a 92.854 em 2006) têm pelo menos uma doença mental, de acordo com pesquisas em prisões juvenis, e precisam mais de terapia do que de castigo.

"Nós vemos cada vez mais jovens com problemas mentais que não conseguiram encontrar programas de comunidade que sejam intensivos o suficiente para seu tratamento", disse Joseph Penn, psiquiatra juvenil da Comissão Jovem do Texas. "Prisões e instalações de justiça juvenis são os novos hospícios".

Pelo menos 32 Estados cortaram seus programas de saúde mental em uma média de 5% este ano e planejam duplicar estes orçamentos de redução até 2010, de acordo com uma pequisa recente com diretores de saúde mental estatais.

No sistema do Estado da Califórnia, um dos sistemas reformatórios mais violentos e mal gerenciados do país, de acordo com investigadores federais, três dezenas de jovens ofensores machucaram gravemente a si mesmos ou tentaram suicídio no último ano (um sinal, segundo peritos da justiça juvenil estatal, de negligência e protocolos de segurança frágeis).

Processos e investigações de direitos civis federais em Indiana, Maryland, Ohio e Texas criticaram sistemas reformatórios juvenis por não cumprirem sua obrigação de proibir castigos cruéis e incomuns em prisioneiros.

Nos anos 1960 e 1970, a crescente disponibilidade de medicamentos antipsicóticos coincidiu com um movimento nacional para o fechamento de hospícios públicos. Muitos hospitais particulares impediram a internação de pacientes psicóticos, inclusive de jovens.

Até os anos 1980, sistemas reformatórios juvenis haviam se tornado os principais provedores de cuidados psiquiátricos para os jovens com doenças mentais.

Mas conforme os cortes aumentam, o debate se intensifica a respeito do que constitui um cuidado médico mental adequado. Frequentemente os sistemas reformatórios têm pouco sobre o que se apoiar ao tentar um diagnóstico.

"Geralmente o pai sumiu e mãe pode estar na cadeia", disse Daniel Connor, psiquiatra do sistema reformatório de Connecticut. "O telefone de casa foi cortado. Os pais falam outro idioma, então é muito difícil descobrir e entender exatamente o que está acontecendo com cada jovem."

Os estudos do Censo sobre profissionais de saúde mental juvenil mostram uma escassez crônica. Uma análise de 2006 calculou que para cada 100 mil jovens, há menos de nove psiquiatras especializados.

Penn afirmou que o sistema reformatório juvenil do Estado do Texas recentemente instituiu um sistema de sessões de telepsiquiatria, conduzindo videoconferências entre os profissionais de saúde mental e jovens detidos a centenas de quilômetros para suprir a falta de atendimento.

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