Jovens cambojanos desconhecem horrores do Khmer Vermelho

TRAPAENG SVA - Sum Touch parou de tentar contar a seus netos sobre a matança, a fome e o horror que viveu quando o regime comunista Khmer Vermelho reinou no Camboja há mais de 30 anos.

The New York Times |

AP

Cambojanos rezam diante túmulos de vítimas do regime Khmer Vermelho

"Parece que mesmo quando eu conto eles não acreditam no que eu digo", disse Sum Touch, 71, que perdeu muitos membros de sua família. "Meu coração dói por eles não saberem o que aconteceu".

Há um antigo campo de execução por perto e um barracão cheio de caveiras e ossos de algumas das vítimas. Mas muitos dos jovens cambojanos, aparentemente, desconhecem porque ou como eles chegaram ali.

Ao lutar para deixar o passado para trás, o Camboja hoje sofre com um doloroso distanciamento entre gerações: entre aqueles que sobreviveram ao regime do Khmer Vermelho e seus filhos e netos, que sabem pouco sobre ele.

"Eu não gosto disso, mas o que posso fazer?", disse Ty Leap, 52, que vende macarrão e sucos. "É realmente inacreditável que isso esteja acontecendo".

Durante quase quatro anos, entre 1975 e 1979, o Khmer Vermelho causou a morte de 1,7 milhões de pessoas de fome, excesso de trabalho e doenças, bem como tortura e execução, conforme tentava construir uma dura utopia plebeia.

Quase todos os cambojanos de uma certa idade têm histórias para contar de  terror, abuso, fome e da perda de membros de suas famílias. Mas estas histórias geralmente não são ouvidas por uma geração que não consegue conceber a ideia de tamanha brutalidade ou parece indisposta a aprender sobre ela.

Cerca de 70% da população do Camboja tem menos de 30 anos e quatro em cinco membros desta geração sabem pouco ou nada sobre os anos do Khmer Vermelho, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro de Direitos Humanos da Universidade da Califórnia, Berkeley.

Uma ignorância similar (entre velhos e jovens) parece envolver os julgamentos dos cinco principais articuladores do Khmer Vermelho, que começou no mês passado, em parte para dar início a um processo de cura e fechamento.

Partes dos julgamentos são transmitidas na televisão e os jornais contam toda a história, mas mesmo nesta vila ao lado de um antigo campo de execução 40km ao sul da capital, Phnom Penh, muitas pessoas afirmaram que não sabiam que isso está acontecendo.


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