Jogos de guerra preveem terríveis consequências no conflito Irã-Israel

Previsão foi feita em simulação de guerra realizada neste mês para testar coordenação entre Pentágono e comando no Golfo Pérsico

The New York Times |

Um exercício de simulação de guerra realizado este mês para analisar as possíveis repercussões de um ataque israelense ao Irã, previu que caso isso aconteça poderia se desencadear uma guerra regional que tornaria necessária a participação dos Estados Unidos e até mesmo colocaria em risco milhares de americanos, segundo autoridades.

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As autoridades disseram que o chamado “jogo de guerra” não foi concebido como um ensaio para a ação militar dos Estados Unidos - e também enfatizaram que os resultados do exercício não são necessariamente uma prévia do resultado de um conflito de verdade. Mas a simulação certamente gerou temores entre os responsáveis de alto escalão que afirmaram que é praticamente impossível evitar qualquer envolvimento dos EUA no confronto crescente com o Irã .

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O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos EUA, Barack Obama, têm reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington (5/3)

Os resultados do jogo de guerra foram particularmente preocupantes para o general James N. Mattis, que comanda todas as forças militares dos EUA no Oriente Médio, Golfo Pérsico e sudoeste da Ásia, de acordo com oficiais que participaram da estratégia e falaram sob condição de anonimato.

Quando o exercício foi concluído no início deste mês, segundo as autoridades, Mattis disse a seus assistentes que um ataque israelense provavelmente teria consequências em toda a região e que também afetaria as forças militares dos EUA naquela área.

O exercício foi projetado especificamente para testar as comunicações internas e as coordenações entre as equipes de confrontos do Pentágono em Tampa, Flórida, onde fica a sede do Comando Central, e no Golfo Pérsico, no caso de um possível ataque israelense. Mas o exercício foi criado para avaliar uma situação que poderia acontecer no mundo real.

No fim, o jogo de guerra acabou reforçando para os oficiais militares americanos a imprevisibilidade dos resultados caso um ataque israelense seja realizado e haja um contra-ataque por parte do Irã, disseram os oficiais.

Ofensiva: Ataque contra Irã pode ser difícil para Israel

Tanto a inteligência americana quanto a israelense concordam plenamente sobre o progresso que o Irã tem feito para enriquecer urânio. Porém eles discordam na questão de quanto tempo teriam para impedir o Irã de construir uma arma, caso os líderes de Teerã decidissem continuar com o projeto.

À medida que os israelenses dizem publicamente que a oportunidade para impedir que o Irã construa uma bomba nuclear está diminuindo cada vez mais, os oficiais americanos disseram acreditar que um ataque israelense ao Irã pode acontecer. Eles disseram acreditar que Israel possivelmente daria aos EUA pouco ou quase nenhum aviso caso os oficiais israelenses tomem a decisão de atacar as instalações nucleares iranianas.

Manobras

Os oficiais afirmaram que, de acordo com alguns acontecimentos, o Irã acredita que Israel e os EUA seriam parceiros em ataques contra instalações nucleares iranianas e, portanto, considerariam a força militar americana presente no Golfo Pérsico como cúmplices desse ataque. Jatos iranianos perseguiram aviões israelenses após o ataque, e os iranianos lançaram mísseis contra um navio de guerra dos EUA no Golfo Pérsico, o que foi visto como um ato de guerra que permitiu uma retaliação americana.

Internal Look (Olhar Interno, em tradução livre), é um dos exercícios mais significativos do Comando Central e é realizado duas vezes por ano para analisar como a equipe nos postos de comando e quartel-general reagiriam em diversas situações reais de confronto.

No decorrer dos anos, ele tem sido utilizado como uma forma de preparo para várias guerras que ocorreram no Oriente Médio. Segundo o site de defesa Globalsecurity.org , os estrategistas militares utilizaram o programa durante a Guerra Fria para se preparar contra um movimento feito pela União Soviética para tomar 16 campos de petróleo iranianos.

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Imagem de satélite mostra complexo militar de Parchin, no Irã
Alguns especialistas militares nos EUA e em Israel que avaliaram as potenciais ramificações de um ataque israelense acreditam que a última coisa que o Irã quer é uma guerra em grande escala em seu território. E eles argumentam que é provável que o Irã não ataque diretamente alvos americanos, sejam eles navios de guerra no Golfo Pérsico ou bases militares na região.

A análise, no entanto, estabelece também a conclusão de que não é possível prever totalmente a orientação dos líderes iranianos. "Uma guerra não é um piquenique", disse o ministro de Defesa israelense, Ehud Barak, à Rádio Israel em novembro. Caso Israel seja forçado a reagir, a retaliação seria algo suportável, ele disse.

"Não haverá 100 mil, 10 mil ou sequer 1 mil mortos", disse Barak. "O Estado de Israel não será destruído."

*Por Mark Mazzetti e Thom Shanker

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