Jim Messina: da Casa Branca para a campanha de reeleição de Obama

Ex-vice-chefe de gabinete do presidente, Messina dirige corrida eleitoral que pode vir a ser a mais cara da história dos EUA

The New York Times |

Durante dois anos, Jim Messina trabalhou a 41 passos do Salão Oval, uma distância que contou quando chegou à Casa Branca. Sua próxima missão – em um escritório a 1,2 mil km do presidente americano, Barack Obama – vai testar se proximidade é a chave para o poder.

Messina, antes vice-chefe de gabinete da Casa Branca, está dirigindo a campanha de reeleição do presidente, que foi inaugurada formalmente em um prédio de Chicago nesta semana e deu entrada na papelada necessária para que Obama comece a aceitar contribuições.

Messina trocou uma sala sem janelas na Ala Oeste da Casa Branca por um imenso escritório com vista para o parque no qual Obama fez o histórico discurso de sua vitória. O seu trabalho é garantir que o presidente conquiste mais uma vitória no dia 6 de novembro de 2012.

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Jim Messina, ex-vice-chefe de gabinete na Casa Branca, em Chicago
A execução de qualquer campanha presidencial é uma tarefa cansativa. Mesmo antes de Obama anunciar suas intenções – ele fez isso na manhã de segunda-feira em uma mensagem aos seus apoiadores – Messina tem se ocupado de cortejar os arrecadadores, cujo papel é arrecadar até US$ 350 mil de cada.

Mas nesse caso o trabalho tem um desafio extra: supervisionar um esforço de reeleição executado longe de Washington, separado do candidato e de seus assessores mais próximos tanto por distância quanto por foco.

A medida, segundo Messina, não é apenas simbólica. Ela permitirá que a campanha não absorva os ruídos dos “sabe-tudo” da capital e se concentre inteiramente na política, sem ter de equilibrar as exigências do governo. E vai colocar Messina e sua equipe mais próximos dos apoiadores de base que foram vitais em 2008. "O presidente e eu falamos sobre os desafios – e existem desafios", disse. "Mas eu quero pessoas na sede em Chicago que vivam, durmam, comam e respirem a reeleição de Barack Obama como presidente".

Na primeira metade do mandato do presidente, Messina, 41 anos, serviu como um solucionador de problemas para todos os fins, com responsabilidades que variaram desde lidar com penetras de um jantar de Estado a defender a passagem da lei da saúde no Congresso. Agora, ele irá supervisionar o que poderia se tornar a primeira campanha de bilhões de dólares, a disputa mais cara na história do país.

'Change'

Mas Messina irá vender um político que já não pode facilmente colocar-se como o rosto da mudança. E ele irá operar em um clima político muito mais hostil, com pesquisas que sugerem que os eleitores moderados e independentes precisarão ser convencidos a votar nos democratas em grandes números novamente.

"Eu realmente acredito que o presidente é a arte e eu sou a ciência", disse Messina, que estuda obsessivamente novos dados de recenseamento, antigos resultados eleitorais e uma série de métricas que irão orientar a disputa. "Você tem de começar com a suposição de que não será como 2008 de novo".

Em uma manhã na semana passada, Messina desceu de um táxi e entrou no saguão do prédio localizado no número 1 da Prudential Plaza. Ele havia desistido de sua credencial da Ala Oeste, um símbolo inconfundível de influência em Washington, por um crachá ambivalente marcando "inquilino".

O espaço da sede está vazio. Por enquanto, ainda não existem cartazes ou faixas com o nome de Obama, apenas um saco de papel cheio de material de escritório e uma pilha de mapas da Associação Americana de Automóveis, que fornecem um indício precoce dos campos de batalha Estado por Estado, que possivelmente irão determinar o resultado.

"É muito cedo para olhar para essas coisas", disse Messina, tomando uma cadeira em um cubículo vazio. "Se você olhar para os números do novo censo, pode achar que a Geórgia será importante no jogo. Você pensaria até mesmo que o Arizona estará no jogo – como eu acho que estará. E estes são Estados que não usamos na última disputa”.

Uma razão pela qual ele está em busca de novos territórios – mesmo os mais distantes politicamente, como Arizona e Geórgia – é o difícil caminho que Obama percorreu para conquistar alguns Estados em 2008, como Indiana, Carolina do Norte e Virgínia, que cederam amplamente aos republicanos no ano passado.

A distância entre Washington e Chicago levanta dúvidas sobre se as decisões serão feitas em seu novo escritório ou na Casa Branca, onde David Plouffe, gerente da campanha passada, agora é conselheiro sênior, e William M.Daley, presidente da campanha presidencial de Al Gore, agora é chefe do gabinete e mais acessível ao presidente. "Iremos coordenar adequadadamente as decisões, mas eles irão coordenar a campanha", disse Plouffe. "Temos muito trabalho a fazer e esse é um momento diferente. Eles irão inovar e fazer o que fizemos em 2008 parecer pré-histórico”.

Desde que deixou a Casa Branca há dois meses, Messina tem estado em uma excursão observatória, visitando doadores e ativistas em quase duas dezenas de cidades. As sessões privadas foram destinadas a melhorar relações desgastadas, particularmente com alguns grupos liberais, enquanto reconecta os apoiadores.

Popularidade

A apresentação que faz mostra como a aprovação do presidente tem caído em Estados como Flórida, Michigan, Ohio e Pensilvânia. Ele mostra um vídeo de potenciais adversários republicanos, que vão desde a representante Michele Bachmann, de Minnesota, uma figura popular no movimento Tea Party, até Jon Huntsman Jr., ex-governador de Utah que está deixando o cargo de embaixador na China.

"Se tudo que fizermos for arrecadar dinheiro, iremos fracassar", Messina disse a vários arrecadadores.

Em uma entrevista durante um almoço de salada, bife e muitas latas de Pepsi, Messina disse que ter ouvido muitas reclamações sobre a mensagem do presidente em questões como a saúde, a extensão dos cortes fiscais da era Bush e o não fechamento da prisão militar de Guantánamo, em Cuba. "Nós somos democratas!", Messina respondeu quando perguntado se estava surpreso com as críticas. "Parte do início disso é conseguir ouvir as pessoas".

Messina é a pessoa mais influente no círculo íntimo do presidente da qual muitos nunca ouviram falar. Ele raramente é reconhecido quando vai a um bar ouvir música ao vivo. Ele não aparece na televisão.

Quatro anos atrás, ele deixou o gabinete do senador Max Baucus, de Montana, para fazer parte da campanha de Obama como chefe nacional de equipe. Depois da eleição ele se tornou o vice de Rahm Emanuel, o primeiro chefe de gabinete da Casa Branca, e o presidente começou a confiar nele para estratégia legislativa, assessoria política e papo sobre futebol americano. "Algumas pessoas vão a reuniões para que possam ouvir o som de sua própria voz", disse Emanuel em uma entrevista em Chicago, onde acaba de ser eleito como prefeito. "Jim vai a reuniões para encontrar soluções para os problemas”.

Para se preparar para 2012, Messina tem lido livros sobre eleições presidenciais anteriores. "Eu tentei descobrir cada coisa boa e ruim que poderia aprender com as reeleições de Reagan, Bush – ambos os Bush – e Clinton, e eu cheguei até Johnson e Carter", disse Messina, admitindo uma obsessão histórica. "É uma espécie de momento 'Mente Brilhante’. Eu fiz anotações em todos os livros em uma enorme lousa branca".

Na Casa Branca, Messina experimentou alguns grandes tropeços, incluindo acusações feitas por candidatos democratas de que tentou tirá-los de disputas. Alguns colegas do governo reclamaram do seu pavio curto e de Messina expor a sua autoridade e agir como um "mini-Rahm", como o descreveram dois assessores. Ele também compartilha com Emanuel uma tendência para a linguagem maliciosa.

John Engen, o prefeito de Missoula, Montana, convidou Messina a falar em um seminário no ano passado na Universidade de Montana. Messina, um graduado da universidade e tamanho fã de sua equipe atlética que quer que suas cinzas sejam espalhadas sobre o a letra "M" no campus, foi citado no jornal estudantil usando uma palavra imprópria para esta publicação. "Não há nada como ver o rosto de uma relativamente conservadora mulher de 60 anos de Montana ouvir esse homem dizer a palavra bomba (com F) no evento de arrecadação do prefeito", disse Engen em uma entrevista. "Mas ele é tão boa índole, que todos lhe deram um abraço depois”.

Messina se mudou para Chicago no fim de março. (Seu iPod com 4.284 músicas é muito mais fácil de transportar do que a sua coleção de álbuns.) Ele está cercado por uma equipe reduzida, com os seus dois assistentes e uma equipe de arrecadação de recursos chegando esta semana, seguidos por um pessoal político.

Em uma entrevista de 50 minutos, ele mencionou os apoiadores de base mais de duas dúzias de vezes. A rede social que apoia Obama, ele disse, terá um desafio muito maior do que na primeira disputa. "Ele não vai estar ao seu lado na sala do jeito que estava em 2007 e início de 2008", Messina disse sobre Obama. "Ele tem de ser presidente dos Estados Unidos".

*Por Jeff Zeleny

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