Japão vê chance de liderar na promoção de eficiência energética

KUMAGAYA, Japão - Com suas enormes fornalhas e esteiras que carregam pedras moídas, a indústria de cimento Taiheiyo parece uma relíquia da Revolução Industrial. Mas na verdade a companhia é um modelo de eficiência energética moderna que usa o calor da fábrica para gerar sua própria eletricidade.

The New York Times |

Engenheiros da China e outros locais da Ásia vieram estudar seu funcionamento, que permite que a companhia obtenha toda a energia que precisa.

A fábrica é apenas um exemplo da dedicação do Japão em reduzir o consumo de energia, um compromisso que teve início na crise do petróleo que abalou essa nação carente de recursos nos anos 1970.

Agora, com o preço do petróleo atingindo novas altas e o mundo diante do desafio do aquecimento global, o Japão espera poder usar seu conhecimento na conservação de energia para assumir um raro papel de liderança numa questão globalmente importante. O país irá ampliar seus esforços em exportar sua ética de conservação (e sua cara tecnologia) na cúpula do G8 na próxima semana.

"Tecnologia superior e o espírito nacional de evitar desperdícios dão ao Japão a estrutura mais energeticamente eficiente do mundo", afirmou o primeiro-ministro Yasuo Fukuda em um discurso recente em que delineou sua agenda para a cúpula. Segundo ele, o Japão "quer contribuir para o mundo".

Fukuda já pediu que os líderes do G8 adotem objetivos numéricos quando discutirem novas formas de lidar com as emissões de dióxido de carbono, uma negociação que pode ser direcionada a um novo acordo global no final de 2009.

Os pactos existentes, como o tratado original do clima de 1992 e o protocolo de Kyoto, que acaba em 2012, foram amplamente descritos como falhos por especialistas.

O aumento no custo da energia deve dominar o encontro, que será realizado em Hokkaido, a ilha norte do Japão, uma vez que o presidente Bush e outros líderes enfrentam pedidos de ampliar o fornecimento de petróleo expandindo a perfuração marítima e impedindo a especulação financeira no mercado de energia.

Trajetória

O Japão é sem dúvida a nação desenvolvida mais frugal em relação à energia. Depois da crise dos anos 1970, o país se forçou a economizar através de objetivos energeticamente eficientes estabelecidos pelo governo e altos impostos sobre o petróleo. Especialistas também acreditam que o consenso nacional ajudou na diminuição do consumo.

O país também é o único industrializado que apoiou investimentos do governo em pesquisas de energia mesmo depois da queda dos preços do petróleo.

"O Japão ensinou a si mesmo há algumas décadas como concorrer com a gasolina a US$4 o galão", disse Hisakazu Tsujimoto do Centro de Conservação e Energia, um instituto de pesquisa governamental que promove a eficiência energética. "O país irá lidar melhor com a nova era de altos custos de energia melhor do que outros países".

De acordo com a Agência Internacional de Energia, baseada em Paris, o Japão consumiu menos da metade da energia por dólar do que a União Européia ou os Estados Unidos, e um eito do que a China e Índia em 2005.

Ainda que o países seja conhecido por seus produtos ecológicos como carros híbridos, a maior parte de seus ganhos acontece em áreas menos conhecidas, como a tecnologia de diminuir o uso de energia na fabricação.

O Japão corporativo conseguiu manter seu consumo anual de energia em cerca de 200 milhões de toneladas desde o início dos anos 1970, de acordo com informações do Ministério de Economia. O país conseguiu manter esse nível mesmo durante o crescimento econômico registrado entre os anos 1970 e 1980, quando quase duplicou a economia ao se ajustar à inflação a US$5 trilhões.

O sucesso do Japão na eficiência energética fica mais claro em indústrias pesadas como a de ferro, que são as maiores consumidoras de energia do país. Nos últimos 36 anos, a indústria de ferro do Japão investiu cerca de US$45 bilhões em tecnologias que economizam energia, de acordo com a Federação de Ferro e Aço do Japão.

Por MARTIN FACKLER

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