Japão luta para romper laços entre máfia e construtoras

Em nova ofensiva das autoridades, governo proibiu yazuka de se aproximar do Tokyo Sky Tree, de 2.080 metros de altura

The New York Times |

Quando no próximo ano forem feitos os brindes em homenagem à inauguração do mais alto prédio de comunicações do mundo, os mafiosos da yakuza não irão comemorar.

A yakuza, como é conhecida o gangue de membros do submundo do crime do Japão, está proibida de se aproximar da construção do prédio de 2.080 metros, segundo os construtores. "A máfia não pode vir aqui", disse Toru Hironaka, um advogado que lidera uma equipe jurídica mantida pelos construtores do prédio para impedir os sindicatos do crime de se envolver no projeto de construção.

A proibição faz parte de um esforço nacional realizado pelo governo japonês e pela comunidade empresarial do país para romper os laços enraizados entre o crime organizado e as grandes empresas japonesas, especialmente no setor de construção.

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Operários do Tokyo Sky Tree, de onde a yakuza está proibida de se aproximar
Como parte da ofensiva nacional, na quinta-feira um chefão do principal sindicato criminoso do Japão, o Yamaguchi-gumi, foi preso sob a acusação de extorquir 40 milhões de yens (cerca de US$ 480 mil) de uma empresa de construção na cidade ocidental de Kyoto, disseram os policiais.

O homem preso, Kiyoshi Takayama, 63 anos, era visto como o líder real do sindicato desde que seu chefe oficial foi preso em 2005 por posse de armas de fogo que são ilegais no Japão.

"O crime organizado está ameaçando toda a economia do Japão", disse Kohei Kishi, diretor da divisão de crime organizado da Agência Nacional de Polícia do Japão, em entrevista recente. "E eles têm raízes profundas no setor de construção".

A Agência Nacional de Polícia e outros órgãos do governo estão pressionando empresas de diversos tipos para acabar com suas ligações com a máfia, que os policiais descrevem como mais enraizada nas grandes empresas japonesas do que nos Estados Unidos.

Alvo

O grande alvo é a indústria japonesa de construção que vale 30 trilhões yens (cerca de US$ 362 bilhões), e na qual a yakuza agiu de maneira desenfreada por muito tempo. Na década de 1990, no auge do envolvimento da yakuza na construção civil, a polícia estima que as gangues embolsaram entre 2% e 3% de todos os gastos com construção no país.

Um chefão moderno da yakuza pressiona as construtoras a pagar "dinheiro de proteção" para cobrir os projetos de construção – como no caso em Kyoto – ou a usar empresas de fachada para ganhar contratos lucrativos, segundo a polícia.

O esforço antiyakuza da indústria, que começou em 2008, passou longe do antigo foco de ação concentrado nas próprias gangues criminosas. Agora a ênfase é o controle das empresas e a imposição de sanções mais duras contra aqueles que fazem negócios com a máfia.

Símbolo

O novo prédio de Tokyo – conhecido como Tokyo Sky Tree – tornou-se um dos principais símbolos da ação.

Hironaka, advogado antimáfia do prédio, diz que o movimento de entrada e saída da construção é acompanhado de perto por guardas e por um circuito fechado de vídeo. Os contratos são examinados para se certificar de que nenhum equipamento ou material de construção – nem mesmo os almoços dos trabalhadores – sejam provenientes de empresas que sejam aliadas à máfia.

"O local de construção foi blindado", disse Hironaka. "Demoraria muito para que alguém conseguisse burlar tudo isso".

*Por Hiroko Tabuchi

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