Japão enforca três assassinos

TÓQUIO, Japão ¿ Três assassinos condenados foram enforcados na terça-feira, declarou o Ministério da Justiça, um sinal de que o Japão está acelerando o ritmo de execuções em meio ao aumento da violência no país.

The New York Times |

Tsutomu Miyazaki, 45, foi enforcado pelo assassinato de duas garotas que ele mutilou e praticou canibalismo. No caso, que está sustentado na saúde mental do réu, Miyazaki disse no tribunal que as garotas foram mortas por um homem-rato. Ele pediu ainda uma bicicleta para pedalar enquanto estiver preso.

Também foram executados Shinji Mutsuda, 37, que assaltou e matou duas pessoas antes de jogá-las no oceano, e Yoshio Yamasaki, 73, que assassinou duas pessoas devido ao dinheiro do seguro.

Esses casos elevaram o número de execuções ¿ sob o Ministro da Justiça Kunio Hatoyama que assumiu o cargo em agosto de 2007 ¿ para 13, o maior índice de execuções no período pós Segunda Guerra Mundial.

"Ordenei as execuções porque os casos são de uma crueldade indescritível, alegou Hatoyama. As execuções acontecem para que a justiça seja alcançada e as leis sejam firmemente protegidas.

Em abril, quatro pessoas foram executadas em um único dia segundo as ordens de Hatoyama.

A aceleração nas execuções, que dependem da aprovação do Ministro da Justiça, acontece ao mesmo tempo em que a criminalidade aumenta no Japão. Na última semana, o país ficou abalado com o esfaqueamento no centro comercial de Tóquio que deixou sete mortos.

"Eu acredito que as execuções de hoje são conseqüências do esfaqueamento (da semana passada), e uma clara mensagem para assegurar aos japoneses que todas as sentenças serão cumpridas, disse Jeff Kingston, diretor de estudos asiáticos da Universidade do Japão. Apesar de organizações se oporem, a sentença de morte existe no Japão e a falta de reação do público em geral sugere que os japoneses apóiam a prática.

A Anistia Internacional Japonesa protestou contra os enforcamentos de terça-feira e demandou que o Japão não aplique mais a pena capital, reportou a Associeted Press (AP). Mas, o primeiro-ministro Yasuo Fukuda disse não haver necessidade de mudança, citando o apoio popular à pena de morte. 

Kingston expressou dúvidas sobre se o Japão deveria juntar-se aos países que abolirão, ou planejam abolir, a pena de morte. 
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"O Japão está em descompasso em relação ao resto do mundo no quesito pena de morte, disse Kingston. "Mas eles aparentam estar amarrados a essa política, que não parece ser um grande empecilho.

Por MARTIN FORTER

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