Israel sente abalo enquanto aliado Egito passa por turbulência

Governo e forças militares israelenses repensam estratégias e relações regionais mais importantes

The New York Times |

A revolta nas ruas no Egito causou tumulto no governo e nas forças militares israelenses, com oficiais de alto escalão se reunindo em sessões de estratégia destinadas a repensar suas relações regionais mais significativas.

O planejamento militar de Israel tem como base um acordo de paz com o Egito. Quase metade do gás natural que o país utiliza é importado do Egito. Além disso, o princípio da negociação de terras conquistadas por laços diplomáticos começou com o seu tratado de paz de 1979 com o país africano.

Getty Images
A chanceler alemã, Angela Merkel (E), viajou a Jerusalém para conversar com Netanyahu, em meio à crise do Egito (31/1/2011)
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se reuniu com o presidente Hosni Mubarak do Egito mais do que com qualquer outro líder estrangeiro, exceto o presidente Obama. Se Mubarak for expulso do poder, o efeito sobre Israel pode ser profundo. "Para os Estados Unidos, o Egito é a pedra fundamental de sua política no Oriente Médio", disse um oficial sênior. "Para Israel, é toda a sua base".

O oficial falou sob condição de anonimato porque Netanyahu ordenou seus ministros e oficiais a manter silêncio sobre o Egito enquanto os tumultos não chegam ao fim.

Muitos analistas dizem que mesmo que Mubarak seja forçado a deixar o cargo, quem o substituir poderá manter o tratado de paz com Israel, já que ele é a base para mais de US$ 1 bilhão em ajuda de Washington, além de atrair investimento estrangeiro.

Mas outros notaram que a força política mais organizada no Egito é a Irmandade Muçulmana, que é hostil a Israel e próxima ao Hamas, os dirigentes palestinos de Gaza, cujo contrabando de armas o governo egípcio trabalha para bloquear.

Cronologia

E os acontecimentos dos últimos cinco anos – a tomada de Gaza pelo Hamas, a ascensão do Hezbollah no Líbano, a influência do Irã no Iraque e a aproximação da Turquia ao Irã e Síria – fizeram com que muitos israelenses se voltassem à direita, temendo que quanto mais tempo passa mais a região fica contra eles.

Os israelenses temem que a Jordânia está em um Estado precário e que uma bem-sucedida derrubada no Egito poderia se espalhar no país. E se a Irmandade Muçulmana subir ao poder no Egito, isso significaria não apenas um poder islâmico maior em Gaza, mas também na Cisjordânia, atualmente administrados pela Autoridade Nacional Palestina liderada pelo Fatah, bem como na Jordânia - o que significa que Israel ficaria rodeado de forma inédita.

Mubarak acaba de indicar Omar Suleiman, seu braço direito e chefe de inteligência no país, como seu vice-presidente – se ele herdar o poder, os israelenses ficariam mais tranquilos. Outras figuras importantes, embora menos favoráveis a Israel, seriam mais prováveis de manter algum tipo de continuidade. Mas os israelenses temem que nada está certo. Eles observaram que, se Mubarak for derrubado, Netanyahu poderia ficar sem aliado na região.

O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, tem sido muito crítico em relação a Israel desde a ofensiva em Gaza, no fim de 2008, e mais ainda depois que comandos israelenses mataram nove turcos a bordo de uma frota que tentou romper o bloqueio de Israel a Gaza em maio passado.

O rei Abdullah II da Jordânia, honrando as relações pacíficas do seu país com Israel, tem sido alvo de críticas desde que Netanyahu assumiu o cargo e também se recusou a se encontrar com ele.

*Por Ethan Bronner

    Leia tudo sobre: egitoisraelprotestoshosni mubarakbanjamin netanyahu

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG