Israel não que pagar tratamento de americana ferida em protesto

Estudante de 21 anos perdeu um olho após ser atingida por uma bomba de gás lacrimogêneo atirada por policial israelense

The New York Times |

Uma disputa jurídica está em andamento a respeito de quem deveria pagar a conta do hospital de uma estudante de arte americana que perdeu um olho após ser atingida por uma bomba de gás lacrimogêneo disparada por um policial de fronteira israelense, durante um protesto liderado por palestinos na Cisjordânia.

A estudante, Emily Henochowicz, 21 anos, foi ferida no dia 31 de maio. Ela se juntou a palestinos e ativistas estrangeiros que protestavam na manhã em que houve um ataque mortal por comandos navais israelenses contra um barco turco que tentou romper o bloqueio a Gaza.

© AP
Emily Henochowicz é vista em sua casa em Potomac, Maryland (01/07)

As forças de segurança israelenses dispararam bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação depois que alguns poucos jovens palestinos atiraram pedras.

Testemunhas do protesto, que aconteceu no posto de controle em Qalandiya perto de Ramallah, disseram que os agentes da fronteira atiraram bombas de gás lacrimogêneo diretamente contra os manifestantes, ao invés de lançá-los no ar, como é determinado por regulamentos. A polícia israelense abriu uma investigação criminal.

O advogado que representa Henochowicz, Michael Sfard, recebeu recentemente uma carta do Ministério da Defesa de Israel rejeitando qualquer pedido de compensação ou pagamento de custos hospitalares.

O motivo, segundo o ministério, é que o protesto era violento e que a lata de gás lacrimogêneo não foi atirada diretamente, mas ricocheteou em uma barricada de concreto.

Henochowicz, que é judia e estudante na Cooper Union, em Nova York, chegou a Israel em fevereiro para o que deveria ser um intercâmbio de estudantes de seis meses.

Seu pai nasceu em Israel e é filho de sobreviventes do Holocausto que descreve como "sionistas fervorosos". A família partiu para os Estados Unidos quando ele ainda era criança.

Falando por telefone de sua casa em Potomac, Maryland, esta semana, Henochowicz disse que é "triste quando alguém se machuca e tem que lidar não apenas com as consequências físicas de algo que você não fez a si mesmo, mas consequências econômicas também".

Henochowicz, que foi tratada no Centro Médico Universitário Hadassah, em Ein Karem, na periferia de Jerusalém, teve seu olho esquerdo removido e sofreu fraturas que exigiram a inserção de placas de titânio. Ela voltou para os Estados Unidos no início de junho, onde continua a visitar médicos e especialistas.

Mas mais do que o custo do tratamento em Israel, que chegou a cerca de US$ 10 mil, é evidente que existem princípios jurídicos e interesses em jogo.

O pai dela, o Dr. Stuart Henochowicz, disse por telefone que ainda não sabe se o seguro de sua filha irá cobrir as despesas, porque acreditava que tudo seria pago pelo Ministério da Defesa.

Em resposta a uma pergunta de um repórter, o ministério afirmou que de acordo com verificações preliminares os agentes da fronteira lidaram legalmente com o protesto "violento em Qalandiya" e que o disparo de gás lacrimogêneo foi justificado.

Por Isabel Kershner

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