Israel libertará palestino em greve de fome sem julgamento em corte

Acordo prevê libertação do padeiro Khader Adnan, membro da Jihad Islâmica de 33 anos, no dia 17 de abril

The New York Times |

Um palestino que esteve em jejum por 66 dias para protestar contra sua detenção sem nenhuma acusação encerrou sua greve de fome na terça-feira, depois de as autoridades israelenses concordarem em libertá-lo em meados de abril, caso nenhuma nova importante evidência seja levantada contra ele.

Ao fechar o acordo, Israel evitou a possibilidade de um distúrbio generalizado caso o detido, um membro de 33 anos de idade da Jihad Islâmica, morresse - peritos médicos haviam determinado perigo iminente. Ainda mais importante, autoridades israelenses evitaram uma audiência de emergência na Alta Corte de Justiça que teria levado a uma revisão mais ampla da prática de prisão administrativa praticada pelos tribunais militares israelenses contra milhares de palestinos.

EFE
Na Cisjordânia, manifestantes protestam contra prisão de Khader Adnan (19/2)
Ativistas de direitos dos palestinos e outros apoiadores do detento, Khader Adnan, insistiram que o resultado por enquanto pode ser considerado uma vitória, embora o caso não tenha conseguido levar a nenhuma mudança fundamental na política israelense.

"No fim das contas, a vida de Khader foi salva e sua mensagem, a de ampliar a conscientização sobre a detenção administrativa, foi transmitida para o mundo", disse Shawan Jabarin, diretor da Al Haq, uma organização palestina de direitos humanos com sede na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.

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A Alta Corte de Justiça de Israel havia agendado uma audiência de emergência para terça-feira para lidar com o caso de Adnan depois de sua condição ter sido considerada crítica, mas ambos os lados cancelaram o pedido depois que o acordo foi assinado pelo seu advogado, Jawad Boulus, e um representante do Ministério Público Estadual.

O Ministério da Justiça israelense declarou em um comunicado que o acordo foi feito depois do caso de Adnan ter sido levado ao procurador-geral de Israel, atestando a preocupação dos mais altos níveis do governo israelense sobre o destino de Adnan e as potenciais consequências do caso.

Apoio

Os palestinos têm realizado manifestações em apoio a Adnan por toda a Cisjordânia. Prisioneiros palestinos recusaram suas refeições na terça-feira em solidariedade a ele.

Adnan trabalha como padeiro, mas também é conhecido por ser um dos líderes da Jihad Islâmica, uma organização extremista. Ele foi detido várias vezes, principalmente por Israel, mas também algumas vezes pela Autoridade Nacional Palestina.

Adnan começou sua greve de fome no dia 18 de dezembro, um dia depois de ter sido levado de sua aldeia, Arraba, no norte da Cisjordânia.

Sob os termos do acordo, Adnan será libertado no dia 17 de abril em vez de 8 de maio. A redução de três semanas leva em consideração o tempo que Adnan passou em interrogatórios após sua prisão.

Israel prometeu não aumentar sua detenção.

*Por Isabel Kershner

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