Israel leva repórteres a Gaza

FAIXA DE GAZA - A oeste, o Mediterrâneo brilhava. A leste, uma densa fumaça negra subia ao céu. No meio, tanques Merkava israelenses passavam sobre plantações de batata e morangos na quinta-feira. Conforme paramilitares guardavam terreno, uma mistura de ruínas que antes eram belos sobrados e plantações que foram usados como locais de disparo de foguetes do Hamas.

The New York Times |

Em um dia de ofensiva israelense incomumente pesada na cidade de Gaza, este bairro de Atatra, no noroeste de Gaza, mostrava um cenário de devastação, cheio de estradas abertas à força por tanques militares, estufas enferrujadas e casas explodidas que eram armadilhas preparadas com manequins, explosivos e túneis.

A área foi um dos principais centros de lançamento de mísseis do Hamas nos últimos oito anos. Mas nos últimos 10 dias não passou de uma cidade fantasma, habitada apenas por soldados israelenses, muitos dos quais da unidade de paramilitares conhecida como 101, fundada em 1953 por Ariel Sharon, antigo primeiro-ministro do país, como a primeira unidade de elite do país com cujo alvo é lidar com os combatentes palestinos que se infiltram em Gaza.


Palestinos olham a cratera deixada por um bombardeio israelense / AP

O fato de que mais de meio século depois Israel continua em guerra com os filhos e netos daqueles combatentes serve como uma espécie de poderoso contexto histórico para o conflito militar que já dura 20 dias na região. Ninguém acredita que esta será a última guerra.

Os israelenses enfrentam muita censura internacional por suas táticas, mas a visita de 10 repórteres estrangeiros a esta região mostrou um exército que tem confiança de que está fazendo a coisa certa. O exército, que proibiu a entrada de jornalistas desacompanhados em Gaza, começou a levar pequenos grupos para as posições mais afastadas do conflito para encontros com comandantes de campo.

"Esta é uma guerra muito correta e ela recebe apoio da opinião pública", disse o Brigadeiro General Avi Ronzki, rabino chefe militar, assentado da Cisjordânia que passa a maior parte de seu tempo no campo de batalha encorajando os soldados e que estava no local na manhã de quinta-feira. "Nosso exército está mostrando como parar terroristas. E para ganhar a luta contra os terroristas precisamos usar toda a nossa força, como os americanos estão fazendo no Iraque e Afeganistão".

Do outro lado da região da fronteira, Israel baixou uma espécie de cortina eletrônica para previnir bombas por controle remoto, impedindo o uso até mesmo de chaves de carro eletrônicas.

Visita guiada

O comandante da brigada paramilitar, o coronel Herzi (regras militares impedem que ele forneça seu sobrenome), foi o principal informante desta visita. Ele chegou atrasado em um enorme Merkava, de onde saiu com uma M-16 e binóculos pendurados de seu pescoço e ombro, pedindo desculpas.

"O que vocês veem aqui não é uma cena agradável", ele disse, lendo um livro militar com pontos do seu discurso. "A guerra não é agradável. Eu não gosto deste ambiente. Eu não gosto da guerra".


Soldado israelense se posiciona próximo da fronteira entre Israel e Gaza / AP

Seus soldados tomaram esta área na primeira noite de ofensiva terrestre que aconteceu na primeira semana de guerra. Os lançadores de foguetes, que enviam projéteis mortais a Ashdod e Ashkelon, cidades do norte israelense, estavam entre batatas e pimentas, explosivos em torno deles impediam que fossem desmantelados.
Herzi disse que os soldados encontraram  explosivos de fabricação caseira nas casas e, na quarta-feira, dentro de uma mesquita. A armadilha típica era um manequim com explosivos por perto e um buraco ou túnel coberto com um tapete.

"Eu posso dizer que um terço destas casas são armadilhas", ele disse. "Você entra nas casas e vê muitas bombas de fabricação caseira. Nós tinhamos um soldado que havia se casado um dia antes do início desta operação e agora está entre a vida e a morte por causa de uma armadilha destas".

Herzi mostrou imagens do que foi visto e capturado, incluindo manequins e túneis com escadas, bombas caseiras e lançadores de foguetes.

A ideia por trás das armadilhas, segundo ele e outros oficiais, era que soldados israelenses atirassem nos manequins, pensando que fossem homens, o que levaria a uma explosão e os soldados seriam levados aos túneis ou buracos, onde seriam feitos prisioneiros.

Nenhuma armadilha funcionou completamente e nenhum soldado foi pego.

Isso acontece em parte porque pouco depois de tomar este bairro, os soldados encontraram um mapa que revelava as armadilhas. A natureza elaborada do plano impressionou Herzi, mas ele e seus homens disseram que estão cada vez menos impressionados com os combatentes do Hamas.

"Eles são camponeses com armas", disse o sargento Almog, atirador da brigada. "Eles nem mesmo miram quando atiram".

Sete membros de sua unidade foram feridos por ataques com granadas na quarta-feira, ele disse. Mas acrescentou, "Nós continuamos dizendo que o Hamas era uma forte organização terrorista, mas foi mais fácil do que pensávamos".

A guerra tem sido bem sucedida, mas não necessariamente decisiva, da perspectiva israelense, disse Herzi, especialmente agora que a idéia de um cessar-fogo aumentou.

"Eu sei que no final o Hamas dirá que ganhou", ele disse. "Não importa como a guerra acabe. Nós sabemos que hoje eles têm um problema. Eles abandonarão as armas para sempre? Claro que não, mas eu acho que aprenderam uma lição com esta guerra".

Por ETHAN BRONNER

21º dia de ataques

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