Israel intensifica treinamento para segurança de assentamentos

Equipes são preparadas em antecipação a possíveis tumultos paralelos à tentativa palestina de obter reconhecimento da ONU em setembro

Ther New York Times |

O Exército israelense intensificou o treinamento de mais de 100 equipes de segurança formadas por colonos na Cisjordânia em antecipação aos protestos populares palestinos e possíveis distúrbios em massa que possam acompanhar qualquer proposta para o reconhecimento das Nações Unidas , em setembro, afirmaram os líderes dos colonos na terça-feira.

Os militares estão desenhando fronteiras em torno de cada assentamento que os manifestantes não poderão cruzar e realizando simulados com as equipes de segurança, de acordo com Shlomo Vaknin, oficial de segurança do Conselho Yesha, principal organização dos colonos.

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Soldados de Israel montam guarda em um assentamento israelense enquanto colono, também armado, passa por local
Não ficou claro como as fronteiras serão apresentadas para os manifestantes. Vaknin se recusou a entrar em detalhes sobre possíveis regras de engajamento ou a descrever as condições em que as equipes de resposta dos colonos poderiam abrir fogo.

Existem mais de 100 assentamentos na Cisjordânia, apenas alguns dos quais são fechados. Cada um tem sua própria equipe de resposta rápida armada com rifles militares automáticos M-16. Há níveis elevados de hostilidade – e houve confrontos no passado – entre alguns vilarejos palestinos, assentamentos vizinhos e postos avançados mantidos por judeus que alegam considerar o território seu direito bíblico.

Evocando um episódio recente, no Cairo, em que um egípcio escalou o mastro na embaixada de Israel e trocou a bandeira de Israel pela do Egito, Vaknin disse que as equipes não permitirão que "qualquer manifestante entre numa comunidade, tire a bandeira de Israel do telhado do secretariado e a substitua por outra".

As equipes foram estabelecidas em 2000, em meio à violência no início da segunda intifada, em reconhecimento do fato de que o Exército não poderia estar em todos os lugares em todos os momentos. Elas são obrigadas a recuar quando os soldados chegam. Os líderes dos colonos afirmaram que as equipes são compostas principalmente de reservistas do Exército, como grande parte da população israelense, que receberam formação e sabem como restringir suas operações de defesa.

Líderes palestinos pediram protestos populares para apoiar sua proposta de reconhecimento às Nações Unidas. O presidente palestino, Mahmud Abbas, tem evitado confrontos violentos e quer que os protestos sejam realizados dentro dos limites das cidades palestinas, longe dos postos de controle e assentamentos israelenses. Mas há o medo do lado israelense de que a situação possa sair de controle.

No que alguns aqui viram como um ensaio para setembro, milhares de palestinos e seus simpatizantes, alguns com bombas incendiárias e pedras, tentaram violar a fronteira norte de Israel pelo Líbano e a divisa entre a Síria e a disputada região das Colinas do Golan em maio, com repetição do ato na fronteira da Síria em junho . As forças israelenses abriram fogo em ambos os casos e até 38 manifestantes foram mortos. Israel afirma que dez das vítimas tinham sido mortos por minas terrestres no lado sírio da cerca.

O Exército israelense afirma que agora fornece a suas forças mais equipamentos não letais para uso em tais situações. Apesar de relatos de que tais armas, como bombas de gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral, seriam distribuídos para as equipes de colonos, Vaknin disse acreditar que os militares até o momento decidiram não fazê-lo.

O maior treinamento das equipes de colonos, relatado pela primeira vez pelo jornal Haaretz na terça-feira, é "natural neste período", disse Dani Dayan, presidente do Conselho Yesha.

Em resposta ao relato no jornal Haaretz, o Exército israelense afirmou em comunicado que "mantém um diálogo constante e profissional com a liderança comunitária e equipes de segurança em toda a Judeia e Samaria dedicando grandes esforços para treinar as forças locais e prepará-las para lidar com qualquer possível cenário”. O comunicado se referiu às áreas da Cisjordânia por seus nomes bíblicos.

Os militares acrescentaram que já concluíram a formação da maioria das equipes de colonos e que apenas exercícios estão em andamento. Eles se recusaram a entrar em mais detalhes sobre o que chamaram de sua "preparação operacional."

* Por Isabel Kershner

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