Israel, Hamas e¿ Irã

O ataque israelense ao Hamas na Faixa de Gaza será uma reprise, como nos foi dito, da tentativa de suavizar o domínio do Hezbollah no sul do Líbano no meio do ano de 2006. E o resultado, de acordo com declarações, será o mesmo: muita morte e destruição, nenhuma vitória estratégica para Israel e uma derrota para todos aqueles que procuram a paz e o progresso no Oriente Médio.

The New York Times |

Obviamente, a guerra é um negócio imprevisível, então eu digo isso com certa hesitação: eu acho que se provará o contrário do conhecimento tradicional. Israel pode ter sucesso em Gaza.

Em primeiro lugar, o sul do Líbano é uma área sólida e montanhosa, que faz fronteira com o norte do Líbano e a Síria, por onde o Hezbollah poderia conseguir suprimentos, tanto da Síria como do Irã. Gaza é uma região plana e uma faixa estreita, que faz fronteira com Israel, com o mar e com o Egito, não há amigos para o Hamas. Ao separar a parte norte da parte sul de Gaza, Israel é dona basicamente de todo os arredores do norte da região, criando uma condição militar muito diferente da que ocorreu no Líbano em 2006.

Além disso, a liderança israelense parece bem prevenida de seus erros ¿ políticos, estratégicos e militares ¿ no Líbano. Isso não significa que não irá cometê-los de novo. Apesar de tudo, o primeiro-ministro no comando, Ehud Olmert, é o mesmo. Mas, o atual ministro da Defesa, Ehud Barak, é muito diferente de seu predecessor, o frágil e desqualificado Amir Peretz. Até onde se pode falar, as operações de Gaza parecem ter sido bem planejadas e estão sendo executadas metodicamente, em um grande contraste com a excursão ao Líbano. Barak também advertiu que a operação poderia ser longa e difícil, o que cria menos expectativas, também em contraste à retórica de Israel em julho de 2006.

Além do mais, no Líbano, Israel proclamou objetivos de guerra que não conseguiria atingir ¿ como resgatar seus dois soldados sequestrados e desarmar o Hezbollah. Agora, o governo de Israel diz que procura enfraquecer o Hamas, diminuir sua capacidade de atirar foguetes a partir de Gaza e conseguir novas disposições na fronteira de Gaza com o Egito para prevenir o Hamas de se armar novamente. Esses são objetivos que podem ser atingidos.

Anti-terror

E, claro, nem todos os esforços militares contra o terror falham. Lembre-se da incursão israelense na Margem Ocidental, no meio de 2002, quando sob a liderança de Ariel Sharon, Israel teve sucesso em acabar com a rede de terror estabelecida e começou a desmontar uma segunda revolta. Israel também conseguiu evitar uma re-ocupação no longo prazo e, ao mesmo tempo, manter a habilidade de voltar atrás em missões antiterror. Além disso, o derramamento de sangue em 2002 não pareceu ter causado danos duradouros na esperança de progresso e moderação na Margem Ocidental. Apesar de tudo, é a Gaza, da qual Israel se retirou em 2005, não a Margem Ocidental, que se tornou a fortaleza do Hamas.

O sucesso de Israel em Gaza seria uma vitória na guerra contra o terror ¿ e na luta mais ampla para o futuro do Oriente Médio. O Hamas é apenas uma manifestação do aumento, nas últimas décadas, do terror amigável e quase uma forma de ritual adorador da morte do extremismo islâmico. A combinação de tais movimentos terroristas com um patrocínio ao terror e a tentativa de construir armas nucleares do Estado iraniano (ajudado por sua aliada Síria) produziu uma nova forma de ameaça para Israel.

Ameaça

Não só para Israel. Para todos no Oriente Médio ¿ incluindo também os muçulmanos ¿ que não estão interessados em viver sob o poder de regimes extremistas. E para qualquer nação, como os Estados Unidos, que é alvo do terror islâmico. Por isso há razões sólidas para que os EUA ¿ seja liderado por George W. Bush ou por Barack Obama ¿ fique do lado de Israel em sua luta contra o terror.

Mas supondo que Israel saia vitoriosa, o país está fazendo um favor aos Estados Unidos ao cuidar do Hamas.

O grande desafio para a administração de Obama será o Irã. Se Israel tivesse se rendido ao Hamas e se privado de usar forças para parar os ataques terroristas, seria uma vitória para o Irã. Se Israel tivesse se retirado por causa da pressão, sem atingir os objetivos de enfraquecer o Hamas e prevenir a reconstituição da condição de exportador de terror em Gaza, seria um triunfo para o Irã. Em ambos os casos, o regime iraniano seria encorajado e menos suscetível à pressão da administração de Obama em parar seu programa nuclear.

Mas uma derrota do Hamas em Gaza ¿ seguindo a suposição da vitória do Iraque ¿ seria um empecilho para o Irã. Tornaria mais fácil montar coalizões regionais e internacionais para pressioná-lo. Isso pode afetar positivamente as eleições iranianas em junho. Isso pode tornar o regime iraniano mais influenciável em seu comportamento.

Com respeito ao Irã, Obama deve enfrentar ¿ como ocorreu com o governo israelense contra o Hamas ¿ um momento em que o uso da força parece ser a única opção responsável. Mas o desejo israelense de combater torna mais possível que os Estados Unidos não tenham que lutar.


Por WILLIAM KRISTOL


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