Israel fica em alerta com apoio do Hezbollah ao governo libanês

Perspectiva de apoio do grupo xiita - que é um dos piores inimigos do Estado israelense - preocupa, mas não causa pânico esperado

The New York Times |

Para Israel, a perspectiva de um governo libanês apoiado pelo Hezbollah, um dos piores inimigos do país, parecia a realização de um pesadelo. No entanto, alguns analistas locais disseram que isso não é necessariamente uma causa imediata para alarme.

O governo anterior de Beirute, liderado por Saad Hariri, "nunca fez nada contra o Hezbollah", disse o professor Eyal Zisser, especialista sobre Síria e Líbano na Universidade de Tel Aviv. "Então, do ponto de vista de Israel, é uma mudança semântica apenas".

O professor Efraim Inbar, diretor do Centro Begin-Sadat de Estudos Estratégicos da Universidade Bar-Ilan, disse que a situação mostrou que "a 'hezbollatização' do Líbano" é contínua e preocupante. "Mas não é como se eles fossem começar a atirar em nós amanhã", acrescentou. "Eles estão ocupados agora com assuntos internos".

Autoridades israelenses disseram estar acompanhando de perto a evolução do outro lado da fronteira norte, que atesta a crescente força do Hezbollah, segundo eles. "Estamos preocupados com a dominação iraniana do Líbano através de seu representante, o Hezbollah", disse um oficial do governo israelense, que falou sob condição de anonimato porque a situação em Beirute ainda não está clara.

A ideia de um governo do Hezbollah gerou todo tipo de perguntas, acrescentou ele, inclusive sobre o compromisso do Líbano com a resolução 1701 da ONU, que terminou a guerra de Israel contra o Hezbollah em 2006 e sustenta os quatro anos de cessar-fogo. Esta resolução solicita que o governo estenda seu controle sobre todo o território libanês e que todos os grupos armados sejam desarmados.

Um ataque na fronteira realizado pelo Hezbollah precipitou a guerra de um mês com Israel, que matou mais de 1,2 mil pessoas. Partes do Líbano foram deixadas em ruínas por causa dos bombardeios israelenses e o Hezbollah disparou milhares de foguetes contra Israel.

Arsenal

Oficiais militares israelenses dizem que o Hezbollah voltou a se armar, criando um arsenal de mísseis, incluindo muitos foguetes de longa distância que podem chegar a Israel.

Por outro lado, alguns israelenses veem um possível benefício em ter um governo no Líbano liderado por Najib Miqati, empresário sunita apoiado pelo Hezbollah.

Giora Eiland, um general reformado do Exército israelense e um antigo conselheiro de segurança nacional de Israel, há muito defende que para vencer a próxima guerra, Israel terá de lutar não apenas contra o Hezbollah, mas também contra a infraestrutura de seu anfitrião, o Estado do Líbano.

"Se o Hezbollah estiver por trás do governo, será muito mais fácil de explicar à comunidade internacional por que devemos lutar contra o Estado do Líbano", disse Eiland, hoje pesquisador sênior do Instituto de Estudos de Segurança Nacional na Universidade de Tel Aviv.

*Por Isabel Kershner

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