Israel enfrenta isolamento após conflito em Gaza

JERUSALÉM - Israel, cuja ideia fundadora foi considerada racismo pela Assembleia Geral da ONU em 1975 e que enfrenta um boicote árabe há décadas, conhece bem o isolamento. Mas nas semanas que sucederam a guerra em Gaza e enquanto se prepara para o começo de um governo de direita, o país enfrenta sua pior crise diplomática em décadas.

The New York Times |


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Os exemplos são muitos. Seus times esportivos enfrentaram hostilidades e violentos protestos na Suécia, Espanha e Turquia. A Mauritânia fechou sua embaixada em Israel.

As relações com a Turquia, um importante aliado muçulmano, sofreram gravemente. Um grupo de juízes internacionais e defensores dos direitos humanos recentemente pediu uma investigação a respeito das ações do país em Gaza. A "Semana do Apartheid de Israel Week" atraiu 54 cidades de todo o mundo este mês, o dobro do ano passado, de acordo com seus organizadores. Mesmo na comunidade judaica americana, apesar de sua postura liberal, se sente um afastamento.

A questão não passou despercebida aqui, mas gerou duas reações distintas e contraditórias. De um lado, há uma preocupação real. Pesquisas de opinião globais são analisadas de perto pelo Ministério do Exterior que recebeu US$ 2 milhões extra para melhorar a imagem do país através de diplomacia cultural e informação. Mas também há uma sensação de que os estrangeiros não entendem a situação de Israel e por isso as críticas são ignoradas.

Claro, para os críticos de Israel, incluindo os que apoiam a existência de um Estado judeu, o problema não é de imagem, mas de política. Eles indicam quatro décadas de ocupação, o assentamento de meio milhão de judeus israelenses em terra capturada em 1967, as dificuldades econômicas de Gaza nos últimos anos e a crescente indiferença em relação à criação de um Estado Palestino como motivos pelos quais o país perdeu apoio internacional e dizem que nenhuma quantidade de propaganda diplomática mudará isso.

A criação de um Estado Palestino é central para a reputação de Israel no exterior, porque muitos governos e organizações internacionais favorecem sua existência na Cisjordânia, Gaza e leste de Jerusalém. Ainda que o governo do primeiro-ministro Ehud Olmert tenha negociado a criação de tal Estado, o novo governo de Benjamin Netanyahu diz que a questão não está em sua agenda imediata.

Javier Solana, chefe de política externa da União Europeia, disse em Bruxelas na segunda-feira que o grupo irá reconsiderar seu relacionamento com Israel caso o país não permaneça comprometido com a criação de um Estado Palestino.


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