Iraquiano aproveita oportunidade e lucra com conflito em seu país

BAGDÁ - Para muitos iraquianos, a vida depois da invasão americana tem sido a história da perda de entes queridos e bens, além da dignidade e segurança. Mas não para Araz M. Mohsin.

The New York Times |

Um padeiro que vivia com pouco quando os tanques americanos entraram em Bagdá, Mohsin recentemente gastou US$ 50 mil para fazer uma festa de uma noite no exclusivo Clube de Caça local.

Passando os dedos sobre seu relógio de ouro (que vale US$2 mil - ele guarda um especial de US$ 20 mil para "grandes festas") Mohsin disse que apenas na América, ou em uma ocupação americana, sua história é possível.

Toda guerra tem sua pilhagem e ainda que muito tenha ido parar nas mãos de corporações multinacionais cujos lucros aumentaram conforme as batalhas começaram, há centenas, talvez milhares, de pessoas como Mohsin no Iraque.

Ninguém sugere que ele tenha feito algo ilegal, mas na descrição dos negócios da sua companhia, a Future Co., é possível ver nas entrelinhas como grandes somas de dinheiro dos contribuintes americanos podem ter gerado um resultado tão ínfimo no Iraque.

Mesmo um contrato americano para algo tão simples como a construção de estradas gerou milhares de dólares a Moshin.

Mohsin não se desculpa por aproveitar a situação. Depois de quase dois anos trabalhando como intérprete, ele viu a oportunidade de conseguir algum lucro através de seus contatos. Ao perceber quão lucrativos os contratos com os americanos podiam ser, ele abriu sua própria companhia com amigos de Ramadi.

Os americanos queriam alguém que construísse uma delegacia em Abu Ghraib, outra zona não permitida aos ocidentais. Eles estavam dispostos a pagar US$ 700 mil pela construção da delegacia, que foi batizada de Vitória e Paz. 

"Nós fizemos um acordo com o líder local da Al-Qaeda no Iraque", disse Mohsin. "Ele concordou que o grupo não destruiria a delegacia e nós lhe prometemos parte do lucro".

Quando o projeto foi concluído, no entanto, ele informou o nome do líder da Al-Qaeda aos americanos e o homem foi preso, conta Mohsin, acrescentando que ficou com todo o lucro de US$350.

Ele não sabe o que aconteceu com o líder da Al-Qaeda, mas Mohsin retrata o episódio como um bom acordo - para o Iraque e para ele mesmo.

Mas, conforme os americanos de preparam para deixar o país ele teme pelo futuro da Future Co. Ele disse que deve deixar Bagdá e voltar a sua casa no Curdistão. Ele realizou um trabalho para o governo iraquiano e ainda não recebeu. "Eles são muito corruptos", ele disse.

Leia mais sobre Iraque

    Leia tudo sobre: iraque

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG