Iraque sinaliza abertura para retorno de tropas americanas

A um mês da retirada americana do país após quase dez anos de guerra, Bagdá quer que tropas retornem para instruir soldados locais

The New York Times |

O primeiro-ministro do Iraque sinalizou na quarta-feira que estava aberto ao eventual retorno de tropas dos Estados Unidos como instrutores, destacando que os Estados Unidos provavelmente estarão envolvidos na segurança do país, mesmo após os últimos soldados partirem ao longo das próximas semanas.

Leia também: Joe Biden visita Iraque a um mês da retirada americana


AP
General Lloyd Austin e James Jeffrey, embaixador americano no Iraque, recebem o vice-presidente americano Joe Biden em Bagdá (29/11)

"Sem dúvida, as forças armadas dos Estados Unidos terão um grande papel no treinamento das forças armadas iraquianas", disse o primeiro-ministro Nouri al-Maliki, depois de uma reunião com o vice-Presidente Joe Biden , que está em Bagdá para marcar a retirada e inaugurar uma nova fase nas relações entre os Estados Unidos e o Iraque.

Al-Maliki insistiu que o país poderá tomar conta sozinho de sua segurança interna. Ele deixou claro o desejo do Iraque em construir um relacionamento com o Estados Unidos como um país soberano.

Mas seus comentários sugerem que é provável que a continuidade da relação de segurança entre os Estados Unidos e o Iraque ainda seja considerável, uma vez que o país ainda tem problemas em conter ataques terroristas de grupos insurgentes .

A incapacidade dos países de chegar a um acordo sobre a imunidade para os soldados americanos levou ao anúncio do presidente Barack Obama em outubro de que os últimos soldados deixariam o país até o final do ano .

Mas oficiais do governo sugeriram que uma vez que a retirada seja finalizada, os dois lados poderiam negociar o retorno de tropas dos Estados Unidos para o país para fins de treinamento.

Restam apenas 13 mil soldados no Iraque, e 500 soldados deixam o país diariamente, embora os Estados Unidos tenham prometido deixar um força vestigial de oficiais para efetuarem os processos de treinamento e protegerem a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá.

Biden citou a retirada como prova de que os Estados Unidos mantém as suas promessas. Além disso, o governo estava ansioso para manter o foco na retirada das tropas ao invés de focar no potencial de futuras missões.

Um oficial de alto escalão do governo enfatizou na quarta-feira que no momento não havia nenhum tipo de discussão com o Iraque sobre o futuro das implementações de tropas americanas no país.

Grande parte do tempo da reunião de quarta-feira foi dedicado a outras preocupações como energia, comércio, investimento, agricultura e intercâmbios educacionais.

Mas em uma declaração paralela sobre a magnitude dos desafios do Iraque, Al-Maliki e Biden pareciam ter ideias controversas em determinados momentos.

Al-Maliki disse: "Nós estamos olhando para o futuro do Iraque, que será construído com base no resultado dessa reunião."

Biden, de pé ao lado dele, gentilmente negou, dizendo: "Sugerir que o futuro do Iraque depende desta nossa relação pessoal é nos dar muito crédito. "

Por Mark Landler

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