Iraque espera com expectativa fim de férias parlamentares

Eleitores iraquianos aguardam, há meses, partidos chegarem a um acordo para conseguir trabalhar e governar

The New York Times |

Há mais de seis meses, milhões de iraquianos deixaram de lado seus receios sobre bombas e balas perdidas para votar. Em casas sem abastecimento de água, a tinta indelével roxa permaneceu nos dedos dos eleitores por mais de uma semana.

Os eleitores observaram desde então o inverno virar primavera, verão e agora outono – e as pessoas que elegeram ainda não têm um líder. Eles estão à espera de seus partidos para chegar a um acordo para que possam começar a trabalhar.

E enquanto o verão das pessoas comuns foi marcado por uma onda de violência e revoltas por causa da falta de eletricidade, água potável e outros serviços básicos, em Bagdá, os membros do Parlamento têm vivido uma fantasia dos trabalhadores iraquianos: férias de mais de 200 dias, com salário integral e benefícios. Desde a eleição do dia 7 de março, eles se encontraram apenas uma vez, por menos de 19 minutos.

The New York Times
Reunião entre poucos membros do Parlamento iraquiano (19/09/2010)
Nesse ínterim, alguns têm procurado lugares menos caóticos, com um clima melhor e menos sangue derramado, ficando em bons hotéis ou casas particulares com piscinas na Jordânia, Síria, Irã ou Dubai. Alguns ficaram em casa e beberam.

Outros têm se reconectado com a família, passado por procedimentos médicos em países com hospitais mais bem equipados ou ido a casamentos e funerais que de outra forma teriam perdido.

Mais de uma dúzia de membros entrevistados dizem ter acompanhado assiduamente as notícias na televisão e nos jornais a respeito das conversações esporádicas entre os partidos para formar um governo de coalizão. Tem havido muitas novidades, eles concordam, mas pouco progresso.

Otimismo

A energia e o otimismo com os quais esses pretensos reformadores chegaram à Bagdá após a eleição de 7 de março quase desapareceu.

"Eu estou representando o povo iraquiano, mas não sinto isso", disse Kadhim Jwad, um sadrista eleito pela província de Babil.

Um bálsamo para o tédio, porém, tem sido sua remuneração: salários de cerca de US$11.050 por mês cada um, que incluem um subsídio de alojamento, uma frota de três novos veículos utilitários blindados e uma equipe de segurança de 30 membros à disposição; passaportes diplomáticos recém-emitidos e pagamentos do governo a planos de pensão, que irão oferecer 80% dos seus salários.

Enquanto isso, estima-se que um em cada quatro iraquianos vive abaixo da linha da pobreza.

Unadim Kana, um independente que representa os cristãos na província de Nínive, no norte do Iraque, disse que também tem sido "capaz de viajar livremente", mas que ficaria feliz em renunciar à nova liberdade caso fosse autorizado a trabalhar. "Nós perdemos sete meses de possibilidades", ele disse.

*Por Timothy Williams e Yasser Ghazi

    Leia tudo sobre: iraqueparlamentoreuniãogovernoeleitores

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG