Iranianos na Califórnia participam de ações contra resultado eleitoral

LOS ANGELES - Aqui no sul da Califórnia, lar da maior comunidade persa dos Estados Unidos, acompanhar os eventos pós-eleitorais no Irã se tornou uma obsessão para pessoas como Ali Pourtash.

The New York Times |

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Mozhan Marno, filha de pais iranianos e moradora da Califórnia, está orgulhosa dos protestos

Mozhan Marno, filha de pais iranianos e moradora
da Califórnia, está orgulhosa dos protestos

Em um canto de um restaurante da seção oeste de Los Angeles, na noite de quarta-feira, Pourtash mantinha um olho na televisão, acompanhava atualizações no Facebook em seu celular e tentava falar com um amigo em Teerã.

Roteirista e professor de uma escola pública, Pourtash recentemente se tornou cidadão americano e vive aqui há mais de 30 anos. Mas como os cerca de 500 mil americanos de origem iraniana que vivem em Los Angeles, ele disse que raramente se sente tão conectado ao país como tem acontecido ao acompanhar a disputa pelo resultado da eleição eleitoral no país.

"Eu nunca achei que isso aconteceria ao longo da minha vida", disse Pourtash, 50, a respeito dos protestos em Teerã. "Se eu pudesse estaria nas ruas com eles".

Depois que as conexões de internet se tornaram intermitentes no Irã por causa da tentativa do governo local em controlar o fluxo de informações, Pourtash tem telefonado a amigos, digitado seus relatos e publicado tudo o que dizem na rede.

A tarefa se espalhou por toda a Califórnia esta semana, com americanos de origem iraniana de Beverly Hills a Irvine circulando informações tão rápido quanto podem e alguns indo às ruas com cartazes em solidariedade aos manifestantes no Irã.

"A reação tem sido muito feroz", disse Hossein Ziai, diretor de estudos iranianos da Universidade da Califórnia, Los Angeles. "Os iranianos daqui têm protestado em grandes números continuamente. As pessoas se mobilizaram certamente por conta da repressão brutal que testemunham".

A comunidade iraniana da Califórnia é diversificada, inclui artistas, médicos e pequenos comerciantes com diferentes elos sociais e econômicos com seu país natal. Muitos fugiram do Irã depois da Revolução Islâmica de 1979 que derrubou o xá Mohammed Reza Pahlavi, e ainda que sua afiliação religiosa seja variada (judeus, muçulmanos, bahai e zoroastrianos), a maioria compartilha desdém pelo atual regime em vigor no Irã.

Em entrevistas esta semana, muitos disseram que os protestos no Irã os inspiraram e que eles têm esperança de que Mir Hussein Mousavi, candidato da oposição que o governo diz ter ficado em segundo lugar, possa oferecer a liderança para mudar a situação. "Sair às ruas no Irã não é protesto, é revolução", disse Pourtash. "Aquilo é raiva".

Por REBECCA CATHCART

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