Irã testa determinação do Iraque com intervenções na fronteira

Ataques na divisa entre os países levanta a questão: iraquianos estão dispostos e são capazes de se defender?

The New York Times |

A remota vila iraquiana de Ali Rashm, no alto das montanhas ao longo da fronteira com o Irã, foi abandonada. O seu povo fugiu de ataques aéreos e terrestres iranianos com tudo o que podia carregar e com os animais que puderam persuadir a descer pelas íngremes trilhas.

Agora, as centenas de curdos que deixaram Ali Rash e outras aldeias montanhosas estão vivendo em sufocantes acampamentos de refugiados.

Eles estão no centro de uma questão: se o Iraque está disposto ou é capaz de defender suas fronteiras com o Irã - que tem repetidamente violado seu território nos últimos meses.

Os ataques a Ali Rash e pelo menos uma dúzia de outras aldeias curdas, têm acontecido há mais de um mês e incluíram uma incursão de tanques iranianos uma milha adentro do território iraquiano.

Mas eles suscitaram apenas mornos protestos do governo do Iraque, incluindo a divulgação de uma declaração que pede que os países vizinhos respeitem suas fronteiras.

O governo iraniano disse que suas campanhas de bombardeamento são necessárias para enfraquecer os guerrilheiros curdos que atacam no Irã e se refugiam no Iraque. A única vítima fatal confirmada até agora foi uma menina de 14 anos de idade.

Forças americanas continuam a patrulhar partes dos 910 quilômetros da fronteira entre Iraque e Irã, mas nas aldeias da Montanha Qandil que sofreram o impacto da ofensiva iraniana, não há soldados americanos, iraquianos ou curdos - e os refugiados dizem que estão recebendo pouca ajuda.

No mês passado, tropas iranianas se envolveram em um tiroteio com as pesh merga, as forças de segurança curdas, ao longo da fronteira antes de capturar e deter brevemente um soldado do grupo que disseram ter erroneamente identificado como um membro do grupo guerrilheiro Partido da Vida Livre do Curdistão, mais conhecido por sua abreviação PJAK.

O PJAK, que busca maior representação curda no Irã, e seu grupo aliado, o Partido dos Trabalhadores Curdos, ou PKK, que luta pela autonomia curda na Turquia, usam postos remotos na região semi-autônoma curda do Iraque para realizar ataques, de acordo com os governos do Irã e da Turquia.

Na quarta-feira, confrontos foram registrados entre as tropas turcas e os combatentes do PKK, o que levou à morte de quatro guerrilheiros e um soldado turco.

Depois, militares turcos disseram ter atacado bombas na região curda do Iraque e que seus soldados haviam cruzado mais de uma milha adentro do país para perseguir os guerrilheiros.

O PJAK alega que seus ataques ao Irã são justificados.

Oficiais da região curda do Iraque criticaram Bagdá por não fazer mais para convencer as autoridades do Irã a suspenderem os ataques. Os oficiais curdos da região também negam que abriguem guerrilheiros.

Refugiados curdos dizem que, uma vez que as bombas queimaram seus campos de trigo e mataram o gado, mesmo quando os ataques terminarem serão precisos muitos anos antes que as aldeias recuperem sua segurança econômica.

Por Timothy Williams And Namo Abdulla

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