Irã proíbe mídia de veicular notícias sobre líderes de protesto

Várias mídias foram fechadas desde a eleição presidencial do ano passado, incluindo diários e revistas que a contestaram

The New York Times |

AP
Líderes da oposição do Irã, Mehdi Karroubi (à dir.), e Mir Hossein Mousavi, conversam em Teerã (14/11/2009)
Em uma medida de limitação ainda maior sobre a já acuada oposição política iraniana, as autoridades proibiram qualquer tipo de notícia relacionada aos líderes do movimento de protestos que surgiu após a contestada reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad no ano passado, segundo sites da oposição.

Uma cópia revela que uma carta, recebida pelos veículos de notícias e vazada pelos sites da oposição, ordena que editores de todos os jornais e agências nacionais de notícias se abstenham de publicar nomes, fotografias e declarações dos dois candidatos à presidência derrotados, Mir Hussein Mousavi e Mehdi Karroubi, bem como do ex-presidente Mohammad Khatami, por causa da "provável influência negativa" que isso teria na mente do público.

Autoridades do Ministério da Cultura e Orientação Islâmica não responderam a pedidos de comentário sobre a autenticidade da carta. Se verdadeiro, o documento seria a primeira confirmação pública de tal proibição, embora a oposição esteja amplamente ausente da mídia iraniana há muitos meses.

O governo fechou pelo menos dez jornais e revistas desde a eleição presidencial em junho de 2009, incluindo os principais jornais e revistas reformistas que têm sido alvo de críticas do governo. As publicações foram acusadas de infrações como "veicular notícias contrárias à realidade", "perturbar a opinião pública" e "desatar dúvidas sobre as eleições".

A eleição presidencial levou ao pior tumulto no Irã desde a revolução de 1979, mas o movimento de protesto ficou silencioso durante meses, graças em parte a detenções, julgamentos em massa e intimidação.

Com os seus inimigos reformistas calmos, as facções conservadoras têm cada vez mais enfrentado disputas entre si. Na semana passada, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, pediu que partidários e críticos de Ahmadinejad evitem brigas públicas.

O documento sobre a proibição da mídia, que tem o carimbo "urgente" e "top secret", abre com um lembrete de que a "responsabilidade fundamental" dos meios de comunicação deve ser "criar uma atmosfera de calma na sociedade" e a decisão de proibir formalmente a menção dos líderes da oposição foi motivada pelas preocupações de "oficiais de segurança".

Além de reprimir o movimento de protesto, as autoridades iranianas têm tomado algumas medidas conciliatórias que visam a acalmar a ira do público. Na semana passada, um promotor de alto escalão considerado o arquiteto dos julgamentos em massa que se seguiram aos protestos do último verão foi identificado por familiares das vítimas como um dos três juízes que haviam sido suspensos de suas funções.

O procurador, Saeed Mortazavi, foi conhecido durante muitos anos como um instrumento de conservadores de linha dura na perseguição de jornalistas e dissidentes políticos. Ele e dois subordinados foram suspensos nesta semana em conexão com as prisões de dezenas de estudantes que foram enviados para o notório centro de detenção Kahrizak no verão passado, segundo os advogados das famílias das vítimas.

Três jovens detidos em Kahrizak foram torturados e mortos, incluindo o filho de um proeminente conservador.

* Por William Yong and Robert F. Worth

    Leia tudo sobre: irãprotestosahmadinejadmousavikarroubieuanuclear

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG