Investigações não reduzem riscos de abuso infantil nos EUA

Segundo estudo, legislações como a Lei do Serviço de Proteção à Criança, aprovada pelo Congresso em 1973, não ajudam vítimas

The New York Times |

O Serviço de Proteção à Criança americano investigou mais de 3 milhões de casos de suspeita de abuso infantil em 2007, mas um novo estudo sugere que as investigações fizeram pouco ou nada para melhorar a vida dessas crianças.

Em 1973, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Lei do Serviço de Proteção à Criança, destinada a encorajar a comunicação mais completa e a manutenção de registros de casos de abuso infantil. Em Nova York, por exemplo, já existem escritórios do Serviço de Proteção à Criança em todos os condados, pagos em parte com verbas federais.

Os investigadores examinaram os registros de 595 crianças de todo o país, todos com o mesmo alto risco para maus-tratos, acompanhando-as entre os 4 e 8 anos. Durante esses anos, o Serviço de Proteção à Criança investigou famílias de 164 dessas crianças por suspeitas de abuso ou negligência. Os investigadores entrevistaram todas as famílias quatro anos depois, comparando as famílias investigadas com as 431 famílias que não tinham sido investigadas.

Fatores

Os investigadores observaram vários fatores: apoio social, funcionamento familiar, pobreza, educação do adulto e sintomas de depressão e ansiedade infantil, além de comportamento agressivo – todos conhecidos por aumentar o risco de abuso ou negligência. Mas eles não conseguiram encontrar qualquer diferença nas famílias investigadas, em relação com as não investigadas, em qualquer dessas dimensões, exceto que os sintomas depressivos foram piores em domicílios que foram visitados.

Uma possível interpretação desse resultado seria que as famílias investigadas tinham maior risco desde o início e que as entrevistas apenas as ajudaram a atingir o nível esperado de risco. Mas se fosse assim, segundo os autores, as famílias com investigações recentes teriam maior risco do que as com investigações mais antigas. A análise estatística não encontrou tal associação. Eles concluíram que as investigações do Serviço de Proteção à Criança tiveram pouco ou nenhum efeito.

Os investigadores ficaram de certa forma surpresos com suas descobertas. Mesmo quando serviços são oferecidos, eles costumam ter como objetivo um risco imediato – o abuso de substâncias, por exemplo, ou a violência doméstica – não buscando resolver problemas como a pobreza ou o apoio social. Quaisquer que fossem as intervenções oferecidas elas aparentemente não reduziram o risco de abuso das crianças no futuro.

Kristine A. Campbell, a principal autora do estudo, disse que pode ser muito fácil culpar o Serviço de Proteção à Criança. "Eu acredito que o órgão tem um papel fundamental", ela disse. "Como pediatra, quando recebo uma criança que foi espancada no meio da noite eu preciso deles. Mas temos de buscar outros sistemas que possam realmente criar uma rede de segurança para estas crianças".

*Por Nicholas Bakalar

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