Inverno rígido aquece debate sobre mudança climática

WASHINGTON - Conforme milhões de pessoas ao longo da Costa Leste se recolhem em suas casas envoltas em neve, os dois lados do debate da mudança climática aproveitam o rígido inverno para reforçar seus argumentos.

The New York Times |

Os céticos do aquecimento global usam as nevascas recordes para zombar daqueles que alertam sobre uma perigosa mudança do clima gerada pelos humanos - isso mais parece um esfriamento global, eles dizem.

A maioria dos cientistas de clima responde que as tempestades de neve são consistentes com previsões de que um planeta em aquecimento irá gerar eventos climáticos mais frequentes e mais intensos.

Mas alguns especialistas independentes dizem que os temporais não provam que o planeta está esfriando assim como a falta de neve em Vancouver ou as chuvas no sul da Califórnia não provam que ele está esquentando.

Talvez não seja coincidência que o debate aconteça diante de recentes controvérsias sobre o clima: nos últimos meses, críticos do aquecimento global atacaram um relatório do Painel Intergovernamental para Mudança do Clima da ONU, de 2007, e afirmaram que emails e documentos apreendidos no servidor de um centro de pesquisas sobre o clima na Inglaterra aumentavam as dúvidas sobre a integridade de alguns cientistas da área.

Nessa semana, Rush Limbaugh e outros comentaristas conservadores deram pouca importância ao fato do anúncio da criação de um novo serviço de clima federal feita na segunda-feira ter que ser realizado através de chamada em conferência, ao invés de uma coletiva de imprensa, porque o prédio do governo federal foi fechado pela nevasca.

Mas cientistas do clima dizem que nenhum episódio único de clima severo pode ser culpado por tendências globais, ressaltando a evidência de que tais eventos se tornarão mais frequentes provavelmente por causa da elevação da temperatura global.

Um relatório federal divulgado no ano passado, que pretendia ser uma declaração autoritária sobre as tendências do clima nos Estados Unidos, apontou à probabilidade de nevascas mais frequentes no norte e menos frequente no Sul e Sudeste como resultado de uma mudança nos padrões de temperatura e precipitação a longo prazo.

O relatório também projetou seca mais intensa no Sudoeste e furacões mais potentes na Costa do Golfo. Em outros palavras, se os cientistas do governo estiverem corretos, aguarde mais neve.

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