Intervenção precoce pode ser a solução para adolescentes problemáticos

TALLAHASSEE, Flórida - Sarah Cooksey, 30, e seu marido, Tom, são bombeiros, e ela também trabalha com resgate médico de emergência. Eu entro correndo em prédios em chamas e ajudo pessoas em meio às piores crises, ela conta.

The New York Times |

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Por isso Sarah diz ter ficado surpresa e desesperada quando o relacionamento ruim entre eles e sua filha adotiva, Amanda, culminou em uma briga física que levou a menina de 17 anos a sair de casa.

A polícia, que pegou Amanda, sugeriu um abrigo de emergência por duas semanas para que ambos os lados se acalmassem, um lugar onde adolescentes em dificuldades recebem lições sobre como lidar com a raiva, aulas de sociabilidade e terapia para eles e seus pais (além de horários mais flexíveis caso sigam as regras).

A restrição voluntária de Amanda naquela casa em fevereiro foi o início da recuperação da família.

O abrigo em Tallahassee, um dos 28 do Estado, faz parte de um sistema de ajuda para adolescentes que, em sua postura e amplitude, representa uma grande mudança de pensamente em todo o país: a intervenção precoce nos problemas familiares, ao invés de esperar que as crianças acabem em caros centros de detenção ou lares adotivos.

O sistema de pausa e tratamento busca manter as famílias intactas e divergir crianças "incontroláveis" do caminho do crime. Coordenado pelo grupo sem fins lucrativos Rede de Serviços para Jovens e Famílias da Flórida é financiado pelo Departamento de Justiça Juvenil do Estado. Uma avaliação de 2001 do Florida Tax Watch, um grupo de pesquisas particular, descobriu que a rede provavelmente economiza ao Estado US$15 milhões ou mais ao ano mantendo crianças vulneráveis fora da cadeia.


Jovens descansam no abrigo de Tallahassee / NYT

A rede foi elogiada como modelo para outros Estados e será estudada por autoridades do Nebrasca que buscam preencher a deficiência de seu serviço familiar reveladas no outono deste ano, quando dezenas de pais desesperados entregaram pré-adolescentes e adolescentes descontrolados à custódia do Estado, forçando uma mudança na lei de proteção aos jovens.

Comportamentos prejudiciais

Regulamentando dezenas de agências particulares em toda a Flórida, a rede serve um grupo que geralmente é ignorado: as crianças muito problemáticas, mas que não foram abusadas, nem são negligenciadas ou criminosas. Cerca de 7 mil crianças passam pelos abrigos voluntariamente todos os anos - crianças difíceis, que fugiram de casa e matam as aulas, geralmente recomendadas por escolas ou pelos próprios pais. Outras 11 mil crianças e famílias, das cerca de 30 mil que ligam e pedem ajuda ou conselhos, recebem tratamentos terapêuticos a baixo custo ou gratuitamente.

Por lei, os abrigos não podem atender crianças que enfrentam acusações criminais juvenis ou famílias sob investigação pelo órgão de bem-estar social.

"A experiência de Nebrasca expôs as necessidades dos jovens que adotam comportamentos prejudiciais mas não são criminosos", disse Jessica R. Kendall, assistente do diretor do centro de direito juvenil da Associação American Bar, que elogiou a iniciativa da Flórida.

Sara Mogulescu, diretora do centro de estudos juvenis do Instituto Vera de Justiça de Nova York, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos, afirmou que uma intervenção precoce é "o que muitos lugares estão fazendo e a Flórida saiu na frente"

Estes especialistas descrevem outros esforços promissores, em escalas menores, no Arizona, Connecticut, Illinois e Nova York.

Por ERIK ECKHOLM

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