Intervenção do governo americano em bancos tem precedentes históricos

Depois de uma semana de crescente caos nos mercados financeiros de todo o mundo, os Estados Unidos deram um importante passo que direciona o poder da economia a Washington e o afasta de Wall Street.

New York Times |

O plano do governo de resgatar bancos grandes e pequenos (além da ajuda recente e garantias e apoio a financiadoras, mercados monetários e empréstimos entre bancos) representa a maior medida governamental no mercado financeiro nacional desde a Grande Depressão, ou mesmo antes, de acordo com os especialistas.

O programa de altos custos deve interromper a pior crise financeira desde os anos 1930. Caso seja bem sucedido, ele será estudado por muitos anos pelos historiadores como a representação factual do papel do governo no resgate da economia num momento de emergência.

O pacote pede que o investimento do governo seja feito em securities de três anos que os bancos podem pagar a qualquer momento, quando os mercados se acalmarem e as condições melhorarem. "Essa é claramente uma medida de tempos de crise, mas é bom que exista algo que limita o período do investimento do governo", disse Richard Sylla, economista e historiador financeiro da Escola de Negócios Stern da Universidade de Nova York.

Os Estados Unidos agiram como a Europa, onde os governos costumam interferir mais na economia e o sistema financeiro está nas mãos de um número comparativamente menor de bancos.

A Grã-Bretanha liderou na semana passada, declarando sua intenção de assumir ações bancárias para estabilizar as instituições. Nos últimos dois dias, França, Alemanha, Itália e Espanha anunciaram pacotes de resgate para seus bancos que incluem a compra de ações por parte do governo.

O plano do governo é uma medida excepcional, mas não inovadora. No último século, o governo federal ocasionalmente nacionalizou linhas ferroviárias, minas de carvão e de ferro, além de ter tomado posse de bancos quando achou que isso seria do interesse nacional.

A responsabilidade corporativa do governo tipicamente volta ao setor privado depois de pouco tempo, depois de, algumas vezes, melhorar e ampliar seus negócios sob cuidados federais.

Especialistas financeiros dizem que ter Washington como acionista de bancos americanos agora (como intervenções governamentais no passado) será uma medida prometedora para lidar com a emergência econômica.

"O objetivo é fazer com que o motor do capitalismo seja tão produtivo quanto possível", disse Nancy Koehn, historiadora da Escola de Negócios Harvard. "Ideologia é um item de luxo em tempos de crise"

- STEVE LOHR

    Leia tudo sobre: crise financeira global

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG