Intérprete legal revela abusos contra imigrantes nos Estados Unidos

WATERLOO, Iowa - Em 23 anos como intérprete certificado de cortes federais, Erik Camayd-Freixas falou durante muitos julgamentos, mas as palavras raramente eram suas

The New York Times |

Ele foi chamado para traduzir a audiência dos cerca de 400 imigrantes ilegais presos em uma patrulha no dia 12 de maio a uma fábrica de processamento de carne e desde então, Camayd-Freixas, professor de espanhol na Universidade Internacional da Flórida, tomou a medida pouco comum de quebrar o código de confidencialidade dos intérpretes legais sobre seu trabalho.

Em um artigo de 14 páginas que ele fez circular entre dezenas de intérpretes que trabalham na região, Camayd-Freixas revelou que os réus cujas palavras ele traduziu, uma maioria de interioranos da Guatemala, não entendiam completamente as acusações contra eles ou os direitos dos quais abriram mão.

No artigo e em uma entrevista, Camayd-Freixas disse que ficou chocado com o rápido ritmo do processo e a pressão que os promotores fizeram sobre os réus e seus advogados ao acusá-los criminalmente ao invés de deportá-los imediatamente por violarem as regras de imigração.

Segundo ele, os advogados de defesa tiveram pouco tempo e privacidade com seus clientes nos primeiros dias depois da prisão. A maioria dos guatemaltecos não sabia ler ou escrever e nem sequer compreendia que estivesse numa corte criminal.

"As perguntas que faziam deixavam claro que eles não entendiam o que estava acontecendo", disse Camayd-Freixas. "A grande maioria deles tinha a impressão que estava ali porque vivia no país ilegalmente, não por causa de fraude à Previdência Social".

Durante as rápidas audiências em maio, 262 dos imigrantes ilegais reconheceram a culpa em uma semana e foram encarcerados - a maioria por cinco meses - por usar um registro falso de Previdência Social e outros documentos para conseguir empregos na fábrica de processamento de carne kosher Agriprocessors na região de Postville. Essa foi a maior operação contra o uso de trabalhadores ilegais já realizada pelas autoridades de imigração.

Bob Teig, porta-voz de Matt M. Dummermuth, o promotor do distrito de norte de Iowa, disse que os direitos constitucionais dos imigrantes não foram prejudicados e que os juízes do caso ficaram satisfeitos com o reconhecimento da culpa.

Intérpretes legais familiares com a profissão disseram que o artigo de Camayd-Freixas, ainda que uma ruptura da norma, não viola os padrões profissionais.

(Julia Preston)

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