Insurgentes iraquianos roubam sangue para feridos

Para evitar prisão, militantes invadem hospitais em busca de sangue para integrantes da Al-Qaeda que foram atingidos

The New York Times |

Membros da Al-Qaeda na Mesopotâmia têm invadido bancos de sangue e hospitais armados e roubado sangue para os seus combatentes feridos, ao invés de correr o risco de que sejam detidos em instalações médicas, de acordo com médicos iraquianos, funcionários de centros de saúde e os próprios sunitas insurgentes.

As autoridades sanitárias do Iraque dizem que os ataques vêm ocorrendo há algum tempo em províncias com grandes populações sunitas e parecem sinalizar uma insurgência desesperada para salvaguardar o seu núcleo de combatentes.

Mas os insurgentes têm uma capacidade diminuída de intimidar os funcionários dos hospitais para que cuidem deles diretamente e apoio cada vez menor entre os sunitas, incluindo os médicos, disseram as autoridades.

Os membros da força de segurança iraquiana que protegem as instalações médicas muitas vezes ficam de braços cruzados enquanto os assaltos à mão armada acontecem, de acordo com os funcionários.

Isto tem reforçado as dúvidas sobre a capacidade do Iraque de lidar com a insurgência, ainda que elea seja menor, conforme os Estados Unidos continuam a reduzir suas tropas no país.

Hadad Hamad, um médico da província de Anbar, disse que os ataques acontecem no oeste do Iraque desde 2005, quando "insurgentes da Al-Qaeda invadiram o banco de sangue do Hospital Al Qaim e levaram grandes quantidades de sangue" para uma vila próxima, aparentemente para tratar os feridos.

O hospital, perto da fronteira com a Síria, continua a ser o foco dos ataques da Al-Qaeda. Neste verão, o hospital foi fechado durante vários dias para proteger os trabalhadores depois que médicos e outros funcionários receberam ameaças de morte por se recusarem a cooperar com as exigências da Al-Qaeda por sangue e outros tipos de ajuda.

O que não está claro, no entanto, é se o sangue roubado realmente é capaz de ajudar os feridos. Sangue que não combina pode ser fatal.

Desde o assassinato do principal líder da Al-Qaeda na Mesopotâmia em abril, os militares americanos tem retratado os insurgentes como um grupo em desordem.

"Nós achamos que eles estão envolvidos em tentar descobrir qual é o próximo passo para eles aqui no Iraque, então obviamente estamos tentando explorar isso", disse neste mês o general Ray Odierno, comandante das forças americanas no Iraque.

Mas as Forças Armadas americanas disseram não ter conhecimento de hospitais e bancos de sangue que estejam sendo invadidos por combatentes da Al-Qaeda armados e em busca de sangue.

Funcionários dos ministérios da Saúde, Defesa e Segurança do governo iraquiano também disseram não ter conhecimento sobre os ataques.

Funcionários do hospital dizem que não relataram o problema para as forças de segurança iraquianas, com medo de represálias ou porque acreditam que a polícia e o exército iraquianos têm membros simpáticos à insurgência.

Eles disseram que os ataques por sangue têm ocorrido nas províncias de Diyala, Salahuddin, Anbar e Nínive, mais frequentemente em Mossul, capital da província de Nínive.

Por Timothy Williams e Yasmine Mousa

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