Instituições religiosas buscam espaço em redes sociais na internet

A comunicação fluiu de maneira tranquila durante a primeira hora na qual a Igreja da Trindade de Manhattan fez uso do Twitter, na Sexta-Feira Santa, em abril.

The New York Times |

Enquanto centenas de fieis assistiam à tradicional dramatização da crucificação de Cristo dos bancos da igreja, uma das mais antigas de Nova York, milhares de outros seguidores de todo o mundo acompanhavam a cerimônia de seus celulares e computadores através das curtas atualizações feitas por um membro da congregação ("Sombras e terremotos", "Crucifique o homem!").


Igreja usa Twitter para atualizar os fiéis / NYT

O problema começou na segunda hora.

A interatividade do Twitter (que está no centro de sua essência) facilitou que um mensageiro anônimo incluísse uma personagem que não está no roteiro original da Paixão: um guarda romano que anunciou com tranquilidade "Eu vou ficar com a roupa dele".

Quando outro usuário acrescentou à interação uma falsa Maria Madalena, a intrusão confirmou o óbvio: a marca do Twitter de permitir apenas 140 caracteres não limita a crueldade.

Grupos religiosos que vão dos episcopais aos judeus ortodoxos adotaram o Twitter, o Facebook e outras redes sociais com a mesma avidez que celebridades e políticos, e pelos mesmos motivos: para conquistar uma plataforma mundial e atingir jovens que podem nunca ir à igreja.

Ainda assim, muitos religiosos admitem um certo incômodo a respeito da união de crença e mensagens eletrônicas.

Em debates online e conversas particulares, líderes de todas as fés têm pesado os prós e contras e tentado delimitar o que é aceitável para essa interação: Quem deve ter uma página no Facebook, a congregação ou o padre? O acesso deve ser limitado? Deve haver censura? É apropriado para um clérigo ficar "amigo" de um menor?

Grupos religiosos respondem a muitas destas perguntas por si mesmos e, geralmente, optam por usar a mídia interativa, disse o reverendo Bill Reichart, ministro presbiteriano de Atlanta que lidera uma rede informal de consultores de web que trabalha com pessoas de muitas fés.

"Se você quer controle total, a mídia social pode frustrá-lo", ele disse, repetindo o conselho que dá aos clérigos. "Mas você ganha a possibilidade de ouvir e aprender, além de partir para novas direções". Muitos clérigos, desesperados para conseguir alguma ligação com os jovens usam o meio errado, ele disse.  "Os jovens nem sequer usam e-mail hoje em dia. Eles usam o Facebook".

Na Igreja da Trindade, uma congregação episcopal com uma postura mais aventureira voltada a Wall Street, onde está localizada, o experimento da peça da Paixão foi considerado um sucesso apesar das personagens falsas.

"Se alguém escolhe interagir conosco de uma maneira travessa, tudo bem", disse o reverendo Canon Anne Mallonee, o vigário da igreja. "O oposto da participação não é travessura, mas apatia".

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