Ingrid Betancourt fala sobre dor, medo e fé

PARIS - A franco-colombiana Ingrid Betancourt teme o momento que se aproxima

The New York Times |

Uma semana depois de seu súbito resgate depois de mais de seis anos em um cativeiro na selva colombiana, Betancourt parece saudável, mas falou de fragilidade em uma entrevista na quinta-feira.

"Como uma onda, eu sei que está chegando cada vez mais perto", ela disse suavemente, em inglês. "Então eu sei que chegou a hora de parar. Eu não quero entrar em depressão".

AFP
Ingrid teme depressão
Betancourt, 46, colombiana que se tornou cidadã francesa através de seu primeiro casamento, está hospedada no Le Meurice, um dos melhores hotéis de Paris, tentando usar seu momento de fama para agradecer aqueles que a ajudaram e pressionar pela libertação dos outros cerca de 700 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou Farc.

Mas ela também evita descrever detalhadamente os anos que passou como prisioneira no meio da selva, durante os quais foi acorrentada, fisicamente torturada e humilhada por homens armados, cujo comportamento, ela disse anteriormente, foi "tão monstruoso que eu acho que eles mesmos se enojavam".

Apenas uma semana depois de sua libertação, "eu preciso de tempo", ela disse. "Não é fácil falar sobre coisas que ainda machucam. Provavelmente irão machucar a vida inteira, eu não sei. A única coisa que eu coloquei na minha cabeça é que quero perdoar e o perdão vem do esquecimento. Por isso, eu preciso fazer duas coisas. Eu preciso esquecer para conseguir ter paz de espírito e ser capaz de perdoar. Mas ao mesmo tempo, depois que eu tiver esquecido e perdoado, terei que relembrar. Provavelmente minhas memórias serão filtradas pelo tempo, então não virão com toda a dor que eu sinto agora".

Três americanos - Marc Gonsalves, Thomas Howes and Keith Stansell - contratados militares que trabalhavam em uma missão anti-drogas do Pentágono quando seu avião caiu em 2003 e foram capturados, foram resgatados junto com Betancourt e outros 11 reféns colombianos.

"Há seis dias eu estava acorrentada a uma árvore", ela disse. "Agora estou livre e tentando entender como vou viver daqui para frente".

STEVEN ERLANGER

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