Infra-estrutura e emprego podem fortalecer economia dos EUA

Parece que os EUA estão para ter um presidente que, aparentemente, entende do assunto emprego. Não parece ter nada de covarde nos planos de Barack Obama em estimular a economia, que não tem sido tão ruim desde 1930. O plano de recuperação do presidente eleito enfatiza a criação de empregos e o caminho para isso passa pelo fim da infra-estrutura negligenciada do país.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

Alguns de nós temos falado isso por anos. Em uma estação de rádio neste sábado, 22, Obama descreveu seus planos da seguinte maneira:

Serão dois anos de esforços nacionais para aumentar a criação de empregos nos EUA e projetar uma base para uma economia forte e crescente.

Faremos as pessoas voltarem a trabalhar para reconstruir nossas estradas e pontes desmoronadas, modernizar as escolas que estão falhando com nossas crianças e construir fazendas com energia eólica e solar, combustível para carros e tecnologias para produzir energias alternativas que possam nos libertar de nossa dependência externa quanto ao petróleo e manter nossa economia competitiva nos anos que virão.

Mudanças

Esta mensagem já deveria ter vindo há anos. A esperança é que não tenha vindo tarde demais. É impressionante pensar que a nação tinha tudo, mas parou de investir em sua infra-estrutura, e que os oficiais de Washington ignoraram o papel crucial que a criação de empregos desempenha em uma economia próspera. É impossível de entender. Impossível até o momento em que você percebe que esses bandidos não perdem tempo em consertar o edifício que estavam roubando.

A questão agora é se a nação, no meio da explosão máxima de emergência da economia, pode manter a calma e ser esperta quanto aos bilhões de dólares públicos para a iniciativa de uma nova infra-estrutura. Não ajudará ter novas pontes brilhantes para lugar nenhum sendo construídas de costa a costa.

O passo mais inteligente quando o assunto é infra-estrutura seria que a nova administração seguisse as promessas de campanha do presidente eleito, criando um banco de infra-estrutura para a nação, que não apenas arrecadaria dinheiro e investiria na infra-estrutura do país, mas também trouxesse coerência para os muitos projetos que precisam ser levados adiante.

Problemas

Uma das razões pelas quais os EUA estão em um problema tão grande é que pararam de ser espertos ¿ concentrando-se na excelência, sofisticação e planos em longo prazo ¿ em políticas públicas e comportamentos corporativos.

Vimos isso no Iraque, em Nova Orleans, nas políticas fiscais da administração de Bush, no escândalo da negligência na educação pública, na queda do setor financeiro, na indústria automotiva e assim por diante. Nós nos relacionamos com pessoas estúpidas. E agora estamos pagando o preço por isso. 

Se iremos reconstruir a nação, com a esperança de colocar milhões para trabalhar no processo, devemos fazê-lo de uma maneira que faça sentido e que traga os maiores resultados para nossos milhões de dólares.

Financiamentos

Agora os projetos de infra-estrutura devem ir adiante quer queira, quer não. Eles frequentemente são financiados sem cuidado e sujeitos aos piores tipos de influências políticas.

O senador Chris Dodd de Connecticut está patrocinando uma lei que pretende criar um banco de infra-estrutura com um conselho de diretores e executivos-chefes bipartidários a serem indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado.

Assim, ele daria uma forma mais dinâmica ao processo de revisão e conclusão nos principais propósitos da infra-estrutura. Isso iria determinar o valor de cada projeto para o público ¿ e seu impacto ambiental. Isso iria fornecer um investimento de capital federal para os projetos aprovados e o uso do dinheiro para alavancar o investimento privado.

Investimentos

Nossos maiores concorrentes econômicos no século 21 estão gastando 7, 8 ou 9% de seu PIB em infra-estrutura, disse Dodd. Nós não estamos gastando quase nada.

O EUA está mudando de um período no qual os líderes gastam mais dinheiro em guerras e cortes abundantes de impostos para os ricos, mas não em investimentos no futuro da nação.

Esta era de irresponsabilidade de tirar o fôlego deve acabar. O que significa que agora, com tanto dinheiro do governo que logo estará disponível para projetos de infra-estrutura, é muito importante gastar dinheiro da maneira mais inteligente possível.

Os atuais investimentos na infra-estrutura são vitais por duas razões. Em um artigo da New York Review of Books apoiando a idéia de um banco de infra-estrutura, Feliz Rohaty e Everett Ehrlich escreveram:

No final das contas, enfrentamos um futuro de tensão em massa e desperdícios de acúmulos, portos que não operam de forma eficiente e crescimento do número de pontes e represas que estão obsoletas e são perigosas para a saúde pública e a segurança.

Essa é uma razão. A outra é que nós nunca iremos sair dessa situação econômica ruim se não conseguirmos abrir as portas para os milhões de novos empregos. O investimento na infra-estrutura é uma das chaves para atingir esse objetivo. Então iremos fazê-lo. Mas seremos espertos para isso?     

Por BOB HERBERT

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