Inédita em uma década, chegada de circo em Bagdá conquista sorrisos

Mesmo sem os tigres, poodles e serpente prometidos, atração faz sucesso e reúne iraquianos em torno do pequeno picadeiro

The New York Times |

Os donos de um circo cobriram Bagdá de folhetos que mostravam tigres equilibristas em pedestais, poodles de pé montados uns sobre os outros e uma mulher dançando com uma serpente.

NYT
Família que chegou cedo espera pelo espetáculo noturno no Umbrella Circus, que voltou a Bagdá pela primeira vez em dez anos

Mas quando o circo foi finalmente inaugurado na capital iraquiana, há dois meses, não havia nenhum tigre, pois os animais ficaram presos no Egito. Havia alguns cães, mas, no entanto, eles não eram poodles. E a serpente adoeceu e teve que ser evacuada do Iraque.

"Na próxima semana, os leões e tigres vão chegar do Egito", prometeu um dos donos do circo, Ghassan Mohammed Taha, em setembro. Um mês se passou e eles ainda não chegaram. Mas, pela primeira vez em uma década, o circo – ainda que pequeno e pouco impresionante – estava de volta a Bagdá.

A visita de um circo pode ser algo rotineiro na maioria das cidades. Mas na maltratada Bagdá, mesmo que não seja o “Maior Espetáculo da Terra”, a chegada do circo foi mais um pequeno passo nos esforços dessa cidade em retomar uma vida mais normal, deixando para trás a guerra, a violência sectária e a ocupação, que tornam difícil para qualquer um rir e, muito menos, se maravilhar com os bailarinos equilibristas.

O circo é chamado de Circus Umbrella. Ele tem apenas um pequeno picadeiro e não há um maestro. O que ele tem, porém, são bailarinos equilibristas, uma mulher rodando em um trapézio (sem rede de segurança, mas com uma corda amarrada à cintura), e um "grand finale" com um homem vestido com uma bandeira do Iraque que mergulha espadas em sua garganta.

Embora o circo possa não ser tão emocionante quanto as propagandas, muitas crianças pareciam paralisadas de emoção diante da grande tenda e do trapézio que paira sobre o picadeiro.

Havia muito barulho, não do circo, mas de helicópteros decolando e pousando na Zona Verde nas proximidades. Esse continua a ser o Iraque, apesar de tudo, e por enquanto ainda existem cerca de 39 mil soldados americanos no país.

O circo não ofereceu uma trégua da violência, mas um lembrete de quanto o estranho se tornou normal para os iraquianos. "Por dez anos, não vimos nada como isso", disse Faisil Falleh, 56, que levou sua família ao circo numa noite recente. "Eu não vi nada como isso na minha vida."

Havia sorrisos, com certeza, mas também um grau de decepção pela ausência dos tigres e da cobra doente. Ninguém parecia muito chateado pela falta dos poodles, no entanto.

Michael S. Schmidt e Zaid Thaker

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