Indústria petroleira tem ano cheio de descobertas

Graças a uma série de grandes descobertas, a indústria do petróleo está tendo um ano agitado. As novidades reacenderam a sensação de entusiasmo no setor petroleiro, apesar da queda dos preços e da difícil situação econômica.

The New York Times |

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Imagem mostra plataforma de petróleo opera em até 2.200 metros de profundida

Essas descobertas, nos cinco continentes, são resultados de vários investimentos iniciados no começo da década, quando houve o aumento do preço do produto, e de novas tecnologias que permitiram aos exploradores perfurar até profundidades superiores e quebrar rochas mais duras.

Essa é uma das vantagens dos sinais de preço no livre comércio ¿ colocar pessoas em uma posição melhor para assumir explorações mais arriscadas, disse James T. Hackett, presidente e chefe-executivo da Anadarko Petroleum.

Até agora, mais de 200 descobertas foram relatadas neste ano, em dúzias de países, incluindo a região curda no norte do Iraque, Austrália, Israel, Irã, Brasil, Noruega, Gana e Rússia. Elas foram realizadas por gigantes internacionais, Exxon Móbil, mas também por pequenos do setor, como a Tullow Oil.

Só nesse mês, a British Petroleum (conhecida por BP) disse ter encontrado uma gigante reserva em águas profundas que pode se tornar a maior descoberta de petróleo no Golfo do México. Enquanto isso, a Anadarko anunciou uma grande descoberta em uma região com de Serra Leoa com um futuro promissor.

É normal que companhias descubram bilhões de barris de novo petróleo todo ano, mas o ritmo deste ano está excepcionalmente agitado. Novas descobertas totalizaram em 10 bilhões de barris na primeira metade do ano, de acordo com a IHS Cambridge Energy Research Associates. Se as descobertas continuarem nessa velocidade até o fim do ano, elas atingirão o maior nível desde 2000.

Previsões

Apesar das especulações, nos últimos anos, de que haveria um pico e, em seguida, um declínio na produção de petróleo, as pessoas da indústria dizem que ainda há muito petróleo no subsolo, especialmente abaixo do solo oceânico, mas ainda mesmo que seja encontrado e extraído ele está cada vez mais escasso. Eles dizem que os preços e o ritmo do desenvolvimento tecnológico continuam a ser um dos principais fatores que governam a capacidade de produção de petróleo.

Enquanto a indústria comemora as descobertas recentes, muitos executivos estão ansiosos com o futuro imediato, temendo que a queda dos preços coloque em risco a direção das explorações. A economia mundial está fraca, os preços do petróleo caíram em relação aos registros do ano passado, os lucros das corporações encolheram e a demanda global por combustível permanece baixa. Após cair para US$ 34 em dezembro, os preços dobraram, estabilizando na faixa dos US$70 por barril. Mas se a economia mundial não reanimar, alguns analistas acreditam que o preço pode cair novamente.

As companhias de petróleo afirmam que não podem sustentar essa perspectiva. Apesar dos lucros recordes obtidos nos últimos anos, muitos executivos advertem que precisam de preços acima de US$ 60 por barril para desenvolver reservas mundiais mais complicadas. De fato, algumas atividades de exploração já diminuíram neste ano, conforme os produtores procuram melhores contratos com companhias de serviço e empreiteiras.

Não é apenas o petróleo que está sendo beneficiado pelo aumento de explorações. A Repsol, maior companhia de petróleo da Espanha, disse nesse mês que descobriu o que pode ser a maior reserva de gás natural da Venezuela. Nos últimos anos, companhias encontraram importantes reservas de gás natural, nos EUA, em pedras de argilosa xistosa, que antes acreditavam ser impossíveis de se perfurar.

A primeira pergunta que a equipe de exploração tem no momento é aonde vamos em seguida?, disse Robert Fryklund, que dirigiu operações na ConocoPhillips na Líbia e no Brasil, e é vice-presidente da Cambridge Energy Research Associates, em Houston.

Gastos

Os custos da exploração aumentaram nos últimos anos, em parte para compensar uma duplicação de custos em toda a indústria ¿ desde o preço do aço até o custo do aluguel de unidades de perfuração em águas profundas. A grande questão que confronta a indústria atualmente é saber como baixar os gastos e, ao mesmo tempo, manter um alto nível de exploração. Na média, os custos caíram de 15% a 20% em relação ao seu pico, de acordo com executivos do petróleo.

Apesar de importantes, as novas descobertas se comparam as grandes reservas encontradas nos anos 1970, como a Prudhoe Bay no Alasca, a Ekofisk no mar nórdico, ou a Cantarell no México. Elas também são menores do que a última descoberta, a reserva de Kashagan no Mar Cáspio, descoberta em 2000 e cujas estimativas mostravam mais de 20 bilhões de petróleo.

Não vimos nada igual a Kashagan, mas ainda assim essas descobertas detêm muito material, disse Alan Murray, gerente de serviço de exploração na Wood Mackenzie, empresa de consultoria em Edinburgh.

Por JAD MOUAWAD


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