Indígenas da América Latina ganham voz no debate sobre o clima

MANAUS, Brasil ¿ Alguns usavam os tradicionais cocares, enquanto outros viajavam em barcos ou canoas. Mas dezenas desses habitantes da floresta do Estado brasileiro da Amazônia tinham na última semana o objetivo comum de se desempenharem um papel mais importante nos diálogos sobre meio ambiente.

The New York Times |

A conferência que terminou na última sexta-feira atraiu líderes de grupos indígenas de 11 países latino-americanos, número sem precedentes em tamanho e importância, e observadores da Indonésia e do Congo. Líderes indígenas da América Latina chegaram para estabelecer um consenso para um plano, que prevê que os países desenvolvidos compensariam os países em desenvolvimento na conservação de florestas tropicais como a Amazônia.

O plano internacional de créditos do carbono tem ganhado força, além de ter sido tema central da Conferência Climática em Bali, Indonésia, realizada no último mês de dezembro. Cientistas geralmente concordam que o desmatamento tropical é responsável por 20% de toda a emissão global de gases de efeito estufa.

Há um consenso real de que isso potencialmente representa uma grande oportunidade para que habitantes dessas regiões exerçam mais influência nas negociações e criem mais incentivos para brecar o desmatamento e melhorar sua condição de vida, disse Stephan Schwartzman, co-diretor do programa internacional do Fundo de Defesa Ambiental em Nova York, que freqüentou as discussões aqui.

Na última sexta-feira, representantes de 11 países latino-americanos assinaram uma declaração estabelecendo uma Aliança de Populações de Florestas e se comprometeram dar continuidade às pressões por um lugar de mais destaque na mesa das conferências climáticas. A população indígena deve compreender exatamente o que está ocorrendo em suas florestas, afirmou Yolanda Hernandez, representante da Comunidade Maia de Kakchiquel, na Guatemala.

Dentro desse entusiasmo sobre a compensação da preservação de florestas, existe um debate relevante sobre como isto daria certo, e o preço do projeto para cada país.

Calcular o valor da compensação justa pela conservação de florestas é um grande desafio. O Centro de Pesquisas Woods Hola em Massachusetts recentemente estimou que grupos indígenas deveriam receber US$ 10 por quilômetro quadrado por perímetro de defesa.

Sobre a proposta do centro, um fundo de US$ 180 milhões por ano poderia ser ativado para pagar a cada uma das 150 mil famílias que vivem nas reservas sociais da Amazônia brasileira um valor de US$ 1200 por ano¿ cerca de meio salário mínimo por mês.

-Alexei Barrionuevo

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