Índia sofre com aumento no preço do açúcar

LONI KALBHOR, Índia - A família de Sanjay Gujar cultiva cana-de-açúcar há muitas gerações. Mas no ano passado, depois que o preço do açúcar despencou mais de 40%, ele decidiu plantar bananas em seus 6 acres de terra na região açucareira da Índia.

The New York Times |

Um ano mais tarde, depois que Gujar e milhares de outros fazendeiros indianos abandonaram o açúcar, sua cotação voltou a subir. O preço do açúcar refinado em mercados internacionais aumentou 60% desde o final do ano passado, chegando a 23 centavos cada meio quilo, até mesmo enquanto o valor de outros artigos alimentícios se estabiliza ou cai.


Cortadores de cana-de-açúcar na Índia / NYT

Ainda que todos os produtos mudem em ciclos, o açúcar na Índia é um estudo de caso de mudanças da escassez à fartura na qual colheitas abundantes são seguidas de outras anêmicas a cada dois ou três anos.

A volatilidade é agravada, e de acordo com alguns especialistas causada, por esforços do governo em controlar os preços para equilibrar os interesses de fazendeiros e consumidores.

Quando os preços estavam em alta, por exemplo, legisladores restringiram as exportações, o que ajudou a criar um excesso. Quando o governo reverteu a tática e subsidiou as exportações, muitos fazendeiros como Gujar já tinham trocado de colheita

"O açúcar é um artigo político", disse M.R. Desai, presidente da Federação Nacional da Cooperativas de Usinas de Açúcar, e "o governo não está pronto abandonar isso."

Mesmo com a Índia se preparando para um futuro como potência tecnológica e de serviços, há pouco progresso na sua economia agrária, que ainda sustenta mais da metade de seus 1,1 bilhão de habitantes. Presos a pequenas fazendas, uma grande dependência das inconstantes chuvas de monção e do controle do governo, os fazendeiros indianos são menos produtivos e mais vulneráveis do que seus concorrentes em outros países em desenvolvimento como Brasil e China.

Economistas dizem que a postura da Índia na regulação do açúcar é um exemplo de como políticas populistas podem prejudicar as mesmas pessoas que deveriam ajudar: fazendeiros e os pobres da zona rural.

A Índia, é claro, não está sozinha. Os Estados Unidos restringem importações e usam subsídios para ajudar os produtores a manter o preço doméstico aproximadamente duas vezes acima do valor internacional. (O açúcar é vendido a 56 centavos o meio quilo nos Estados Unidos, 5% a mais do que em dezembro.)

A Europa também protege sua indústria de açúcar. Em 2006 a Comissão Europeia começou a mudar o modo como controla o produto pagando grandes fabricantes para que abandonassem o produto.

As políticas açucareiras do Ocidente são tipicamente impostas para impulsionar a renda de fazendeiros politicamente poderosos e donos de fábricas, mas aqui na Índia os políticos tentam encontrar um equilíbrio entre ajudar fazendeiros e consumidores.

Além disso, o açúcar é central na culinária e cultura da Índia. Ele é misturado em tudo, de chás a doces. (O uso do açúcar no país também tem um lado ruim. A diabetes está crescendo com mais rapidez aqui do que em qualquer outra parte do mundo.)

Mesmo com o preço do açúcar em nítida alta, a demanda está crescendo, porque a população da Índia está crescendo, disse Sanjay Manyal, analista de açúcar da empresa de ações Icici Direct.com.

Para acompanhar a demanda, a Índia  provavelmente terá que importar entre 20% e 30% do açúcar que consome este ano. Há menos de dois anos, o país exportava 20% do açúcar que produzia.

- Vikas Bajaj

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